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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Os nomes de Satanás

OS NOMES DE SATANÁS


Card. Jorge Medina Estévez
A influência e a presença de Satanás na realidade cotidiana são um dos aspectos mais descurados hoje em dia. É necessário lembrar as noções sobre quem seja e como aja entre nós. Alguns dos qualificativos com os quais as Sagradas Escrituras assinalam-no nos servem a este propósito.

Frequentemente, no uso bíblico, o nome dado a uma pessoa tem a ver com as suas características e seu agir. No Novo Testamento, se encontram pelo menos 160 referências a Satanás, sob diversas denominações. A mais usada é demônio, que resulta uma centena de vezes. O nome diabo aparece não menos de 36 vezes e outras tantas vezes aparece o de Satanás.

A abundância destes “nomes” significa que o tema não é banal e que o Espírito Santo, ao inspirar os livros sagrados, quis que os cristãos de todos os tempos tivessem presente tanto a realidade como a ação, ambas nefastas, do Maligno [...].

O GRANDE ADVERSÁRIO DA SALVAÇÃO HUMANA.


Tomamos como exemplo alguns destes “nomes” de Satanás.

“Satanás”.
“Satanás” mesmo significa “adversário”, “inimigo”, “acusador”. O Maligno é adversário porque se opõe aos projetos de Deus, porque é aquele que busca subverter a boa ordem posta pelo Criador em sua obra, em particular no que diz respeito aos desenhos de salvação pela humanidade caída com o pecado, mas redimida pela ação salvífica de Deus que se fez homem, Jesus Cristo Nosso Senhor. No livro de Jó, Satanás desencadeia contra ele todo tipo de desgraças com a intenção de induzi-lo a rebelar-se contra Deus e os seus desígnios, sem consegui-lo (Gb. 1,6 ss).

“Diabo”.
“Diabo” é uma palavra de conteúdo similar a “Satanás”, isto é, “acusador”, “detrator”, alguém que “se coloca de transverso”, que “perturba”, que nos faz tropeçar. As Sagradas Escrituras lhe atribuem encrencas e doenças, algumas das quais hoje se identificam com doenças psíquicas ou neurológicas.

“Legião”.
Legião é o nome que davam a si mesmos os diabos que possuíam o endemoninhado de Gérasa e assim queriam dizer que eram muitos (Mc. 5,9). Também em outros textos do Novo Testamento se faz referência à pluralidade dos espíritos malignos.

“Príncipe e deus deste mundo”.
“Príncipe deste mundo”, citato em Marcos, Luca e Mateus, é uma expressão alusiva ao poder que o demônio exercita sobre a sociedade, permeando-a com anti-valores e obtendo que os homens rejeitem os desenhos divinos e construam as relações sociais prescindindo de Deus e também contrariando a Sua vontade.
Este “nome” se relaciona à afirmação de S. João que “todo o mundo jaz sob o poder do Maligno” (1Jo. 5,19) e é próxima à expressão: “deus deste mundo” (2Cor. 4,4), a qual quer dizer que Satanás consegue encontrar homens que substituem Deus por outras realidades, de onde surgem as diversas formas de idolatria que escravizam a humanidade.
Esta expressão usada em S. Paulo, “deus deste mundo”, sugere o altíssimo grau de nefasta influência que Satanás exercita sobre a comunidade humana, a qual, em diversas formas, aceita e rende culto a anti-valores, ou seja, a condutas contrastantes com a verdade da natureza humana e com a vontade de Deus.
Esta influência pode chegar, e de fato chegou, a desencadear a violenta perseguição aos cristãos, exigindo deles a apostasia como preço para poder conservar a vida corporal. Hoje em dia, com o pretexto de evitar qualquer discriminação, se pretende que a Igreja reconheça como legítimas e morais condutas que contradizem o Evangelho [...].
As estratégias diabólicas fazem com que esta submissão não se manifeste sempre em modo explicito, mas frequentemente através de opções anti-evangélicas justificadas com argumentos capciosos, nos quais, obviamente, estão ausentes seja Deus que a Sua divina vontade. [...] Todavia Satanás continua pretendo adoração por via da adesão a tudo o que representa desprezo e negação do próprio Deus e de Sua vontade. E chega até a induzir alguns à extrema perversão de render-lhe tributos como se fosse Deus, nos cultos satânicos.

“Mentiroso e tentador”.
Mentiroso, “nome” presente em João 8,44 e 1Jo. 2,22, refere-se, se pode dizer, à característica mais típica do agir do diabo. E é sublinhada de forma enfática pelo “nome” “Pai da Mentira” (João 8,44).
Há duas ocasiões em que Satanás age como o grande mentiroso: quando tenta os primeiros pais no jardim do Éden, lhes sugerindo que Deus é um trapaceiro e um invejoso (cf. Gn. 3,1ss) e quando tenta o próprio Jesus, oferecendo-lhe o que não lhe pertence em troca de um tributo de homenagem e adoração (cf. Mt. 4,1 ss; Mc. 1,12ss; Lc. 4,1-13)
Esta característica do diabo (e dos diabos) explica a razão profunda de sua aversão a Jesus Cristo: o Senhor da Verdade (João 14,6). A mentira é próxima da confusão, do engano, do culto das aparências.

Tentador (presente em Mt. 4,3 e 1Ts. 3,5) é um qualificativo que descreve a ação permanente dos espíritos malignos, isto é, induzir os homens, em geral, através do engano e da mentira, a afastar-se do caminho de Deus. De uma forma ou de outra, o demônio oferece felicidade lá onde não se pode encontrá-la [...].
Dois textos do Novo Testamento são instrutivos sobre o “tentador”: aquele no qual São Pedro o apresenta “como um leão a rugir, procurando a quem devorar” e aquele de S. Paulo, quando descreve, na Carta aos Efésios, a vida cristão como luta contra as insídias do diabo (6,10ss).
Mesmo que a tentação seja um fato frequente na existência humana, e provém direta ou indiretamente do Maligno, “Deus é fiel – nos diz S. Paulo - e não permitirá que sejais tentados além de vossas forças, mas com a tentação vos dará também meios de suportá-la e de sair dela” (1Cor. 10,13).
[...] No caso de Satanás, a tentação é a tentativa de nos induzir ao pecado, isto é, fazer com que o home se rebele a Deus. A incrível audácia de Satanás o levou a tentar o próprio Jesus Cristo. Mas nem todas as tentações provêm diretamente do demônio. Algumas procedem do ambiente que nos cerca, daquilo que em diversas passagens do Novo Testamento é denominado “o mundo”, na medida em que está sob a influência de Satanás. Outras provêm de nossa própria natureza ferida e enfraquecida pelo pecado; outras ainda têm origem em pessoas que, com maior ou menor consciência, nos induzem a pecar com os seus mais exemplos ou servem de cúmplices à nossas atividades pecaminosas.

“Eu venci o mundo”.
Este percurso por alguns dos “nomes” que a Palavra de Deus dá ao demônio é instrutivo porque nos permite de descobrir as características do ser diabólico e do seu agir. Quem, depois de ler estes textos das Sagradas Escrituras, poderia colocar em dúvida a existência dos espíritos malignos e de sua nefasta ação sobre os homens?
Levamos em conta as palavras do próprio Jesus: “Simão, Simão! Eis, Satanás vos procurou para vos peneirar como o trigo; mas eu rezei por ti, para que a tua Fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc. 22,31-32). Palavras de uma severa advertência, mas, ao mesmo tempo, de confiança na definitiva vitória do Senhor e de sua graça.

Completamos estas palavras com as de S. Pedro supracitadas: “Sede sóbrios e vigilantes! Eis que o vosso inimigo, o diabo, vos rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar! Resisti-lhe, firmes na fé, sabendo que a mesma espécie de sofrimento atinge os vossos irmãos espalhados pelo mundo (...) [e] o Deus de toda a graça, aquele que vos chamou para a sua glória eterna em Cristo, vos restaurará, vos firmará, vos fortalecerá e vos tornará inabaláveis” (1Pedro 5,8-10).

Não nos esqueçamos, então, das palavras do Apocalipse que nos ensinam que o demônio, depois do infrutífero ataque contra a misteriosa Mulher e seu Menino, “foi então guerrear contra o resto dos seus descendentes, os que observam os mandamentos de Deus e possuem o Testemunho de Jesus” (Ap. 12,17). Todavia, o triunfo pertence a Jesus: “Mas tende confiança, eu venci o mundo!” (João 16,33).

card. Jorge Medina Estévez¹, extraído de Radici cristiane n.66 luglio 2011

Fonte: MessaInLatino
Tradução: Giulia d’Amore di Ugento

¹ Jorge Arturo Medina Estévez é um cardeal chileno, aposentado e presidente emérito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

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