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sábado, 15 de setembro de 2012

DOS COMUNICADOS, DOS MENTIROSOS E DOS OUVINTES

A mentira é imoral. É pecado. Mesmo que venha justificada por mil boas finalidades e intenções, ou envergando uma batina. O fim continua a não justificar os meios. Até onde eu sei, Maquiável era herético, e suas teorias, más. Assim como o relativismo das coisas. Não sou de dar indiretas, nem afeita a mesquinharias, a cada dia aprendo a ser mais sim, sim, não, não, e a ter cada vez menos respeitos humanos, independente de quem se trate. Se falar a Verdade sem muitos salamaleques é faltar com a caridade... pobre do Padre Pio!!! Para estes fariseus... ele não estaria onde está, no Céu! É de conhecimento comum que Padre Pio não utilizava de muita caridade ao falar a Verdade. Assim, hoje não irei comentar sobre o importante comunicado que só vem a comprovar o que certo monge disse sobre a unidade dissociada da Verdade, quando falava acerca de certo comunicado argentino. O farei na próxima semana. Hoje, limito-me a publicar excertos sobre a maledicência tomados do site do Priorado da FSSPX e exaustivamente mencionados pelo subscritor do importante comunicado em suas palestras e conselhos, o que me leva a crer que ele, por pregar tanto, sabe melhor disso do que eu, que nada sou e nada sei! Servirão para meditação minha e de quem escreveu o importante comunicado. Quem sabe até lá ele se emende, por ser de justiça. 

Um adendo: o que está sendo publicado no blog já estava programado, é automâtico, não se trata de "provocações" e nada tem a ver com o importante comunicado, NÃO VEJAM O QUE NÃO EXISTE. Até porque, como já disse, não sou afeita a utilizar-me de indiretas.  

Giulia d'Amore di Ugento


Primeiramente, vamos meditar os ensinamentos dos padres do Priorado Padre Anchieta. LEIAM COM O MESMO CUIDADO E ISENÇÃO COM QUE LEEM OU LERAM O IMPORTANTE COMUNICADO, AFINAL NÃO SÃO PALAVRAS MINHAS, MAS DE AUTORIDADES DA IGREJA:

Pecado da Língua ou Alquimia do Diabo?

pelos padres do Priorado Padre Anchieta

(…)

Os antigos diziam que, antes de falar sobre o próximo, deveríamos respeitar três regras:
1.      Saber se o que queremos dizer é verdade;
2.      Se o que queremos dizer é útil;
3.      Se o que queremos dizer vem dum coração bom e benevolente.
Então, devemos nos abster de falar sobre o próximo, cada vez que não temos certeza que não seja profícuo e que estejamos animados pela impaciência, pelo ódio, antipatia, vingança etc.
(…)
A teologia moral ensina o seguinte para nos ajudar a respeitar a justiça nesta área:  Não é menos necessário respeitar a reputação e honra do próximo do que respeitar os bens e até a vida física do próximo.
 (…)

É pois dever estrito de reparar as maledicências e as calúnias. É difícil sem duvida, pois CUSTA retratar-se, e, depois a retratação, por sincera que seja, não faz mais que paliar a injustiça cometida: a mentira ainda quando se desdiz, deixa muitas vezes vestígios indeléveis.

(…)

Qual é o ensinamento da Igreja sobre este assunto, através dos sermões de São João Maria Vianney, padroeiro dos Párocos.

Primeiro Sermão - do 11° Domingo depois de Pentecostes
Graças dou-Vos, ó Meu Deus porque eu não sou como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano que está por ai” (S. Lucas XVIII,11)
“Tal é, meus caros irmãos, a linguagem do orgulhoso, que cheio de boa estima por si próprio, despreza, em pensamento, o próximo, censura a sua conduta, e condena as ações que são realizadas com as intenções mais puras e mais inocentes.
Não encontra fora de si mesmo nada que seja bem dito ou bem feito; se pode vê-lo sempre a espiar as palavras e as ações do seu vizinho, e sobre as menores aparências de mal, sem nada examinar, já censura, julga e condena-os.
Ah! maldito pecado, quantas divisões, ódios, contendas tu causas, e para melhor dizer, quantas almas arrastas TU nos infernos!
Sim, meus caros amigos, vemos que uma pessoa que está sujeita a este pecado escandaliza-se e está chocado por tudo.
Era necessário que Jesus Cristo julgasse este pecado muito mau, que os danos que faz no mundo fossem muito assustadores; por que, para nos inspirar tanto horror que for possível, apresenta-o duma maneira tão clara e tão sentida na pessoa deste fariseu.
Ah, meus caros irmãos, quão grandes e assustadores são os males que acarreta este maldito pecado!
Oh, como é difícil se corrigir dele por aquele que já está afetado deste vício.
Para vos empenhardes, meus caros irmãos, a nunca vos deixares domar por um tão mau defeito, vou vos mostrar
1.      A MALÍCIA deste pecado;
2.      Os meios que devemos empregar para nos garantir dele.
1°— digo primeiramente que o julgamento temerário é um pensamento ou uma palavra desvantajosa sobre a conta do próximo e sob ligeiras aparências. Só dimana dum coração mau, repleto de orgulho e de inveja; porque um bom cristão, que é penetrado da sua miséria, não pensa nem julga mal de ninguém; nunca ao menos, sem ter um conhecimento certo, e mesmo assim, somente quando está obrigado por dever de vigiar sobre estas pessoas e nunca de maneira outra.
Dizemos, meus caros irmãos, que os julgamento temerários brotam no coração dos orgulhosos e dos invejosos, o que é muito fácil entender.
Um orgulhoso e um invejoso apenas tem boa opinião dele mesmo, e interpreta a mal tudo o que o próximo pode fazer; o bem que ele nota no próximo aflige-o e o rói de tristeza.
 A Sagrada Escritura nos dá um bom exemplo em Caim, que virava em mal tudo o que o seu irmão fazia. Vendo que era agradável a Deus, Caim concebeu o projeto de matá-lo.
Foi o mesmo caso com Esaú que quis matar o seu irmão Jacó. Passava o seu tempo a espiar o que ele fazia, pensando sempre o mal no seu coração, não encontrando boas ações. Mas o seu irmão Jacó, que tinha um coração bom e um espírito humilde, não só não pensava mal do seu irmão, mas também amava-o de todo o seu coração, pensava sempre bem dele, desculpava as suas ações, apesar de muito más, pois que ele buscava lhe tirar a vida. Jacó fazia tudo para lhe mudar as disposições do coração do seu irmão rezava a Deus por ele, fazia-lhe até presentes para lhe demonstrar que ele o amava e que tinha os pensamentos que Esaú imaginava.
 Ai meu Deus, meus irmãos, como é mau este pecado no coração dum cristão que não consegue sofrer o bem dos outros, tornando mal tudo o que os outros fazem!
Sim, meus irmãos, este pecado é um verme roedor que devora dia e noite estas pobres pessoas: vede-los sempre tristes, melancólicos, sem querer confessar o que o cansa, porque o orgulho poderia ser ferido; este pecado fá-los morrer a fogo brando.
Ó meu Deus, que triste vida!
Mas que vida mais feliz, meus irmãos, que a daquele que não está inclinado a julgar mal o seu próximo, que pensa sempre bem dos outros! A sua alma está em paz, não pensa mal senão apenas dele próprio, e por ai, humilha-se diante de Deus e espera na Sua Misericórdia. Eis ai um bom exemplo.
(…)
O Fariseus, meus irmãos, que Jesus nos apresenta como um modelo infame daqueles que pensam e que julga mal do próximo, caiu, segundo toda a aparência, em três pecados.(...)
Pronunciava o seu julgamento apenas com conjunturas: eis, meus irmãos, o primeiro caráter do julgamento temerário. Ele julga em si próximo apenas por um efeito do seu orgulho e da sua malícia: eis o segundo caráter deste maldito pecado. Enfim, não sabendo se o que ele lhe imputava era falso ou justo, julgou e condenou-o; enquanto que este penitente, recolhido numa esquina do templo, batia a seu peito, e regava o pavimento com as suas lágrimas pedindo misericórdia ao bom Deus.
Digo, 1°, meus irmãos, que o que dá tantas ocasiões de julgamentos temerários é que consideramos isso apenas como pouca coisa; enquanto que, muitas as vezes, pode haver pecado mortal, se a matéria é considerável. — mas, dir-me-eis, isso só ocorre no coração. — É precisamente o que torna o pecado especialmente mau, ao passo que o nosso coração é criado só por amar a Deus e o próximo; (...) 
Muitas vezes, de fato, em nossas palavras deixamos crer (aos outros) que os amamos, que temos uma boa opinião deles; enquanto que, em nós mesmo, odiamo-los. Mas há outros que pensam que, ao não dizer o que eles pensam, não há mal nenhum.
É verdade que o pecado é menos [mas não deixa de ser pecado!!!] quando não o manifestamos ao exterior, porque, então, seria um veneno que tentaríamos destilar no coração do nosso vizinho contra o próximo.
(…)
Por outro lado, meus caros irmãos, para julgar uma pessoa na base do que ela diz ou faz, e não se enganar, seria necessário conhecer as disposições do coração e a intenção que ela tinha quando fazia ou dizia isso.
Ai meu Deus, meus caros irmãos, não tomemos todas estas cautelas: o que nos leva a tanto fazer mal examinando a conduta dos nossos vizinhos. Fazemos como que se condenaríamos à morte uma pessoa seguindo o mero relatório de algumas pessoas levianas, sem deixar-lhe o tempo de se justificar.
Mas, dir-me-eis talvez, julgamos apenas o que vemos, e ouvimos; e o de que somos testemunhas (...) Pois bem, eu dir-vos-ia de começar por entrar em vosso coração que é apenas um montão de orgulho, que é como que completamente queimado por este vício: reconhecer-vos-eis infinitamente mais culpáveis que aquele que julgais tão temerariamente, e tendes muito mais motivos de temer que um dia o vereis entrar no céu , enquanto que sereis arrastados pelos demônios nos infernos!
(…)
Sim, meus caros irmãos, todos estes julgamentos temerários e todas estas interpretações só pode dimanar duma pessoa que tem um orgulho secreto, que não se conhece, e que se pretende conhecer o interior do seu próximo: o que é só conhecido de Deus.
(…)
Não, meus caros irmãos, Não penso que haja pecado maior a temer e mais difícil de emendar, e isso, até nas pessoas que parecem cumprir os seus deveres religiosos.
(…)
Ai meu Deus apenas é um hipócrita, um falso, um mau, que, por ser virtuoso exteriormente, não é senão pior e mais maldoso.
 Quereis, meus caros irmãos, saber se pertenceis a Deus? Vede a maneira com que vos comportais com o próximo, vede como examinais e julgais as ações dele. Vamos pobres orgulhosos, pobre invejosos, o inferno está a espera por vós, e mais nada. Mas abordamos isso de mais perto.
(…)
Sim, meus irmãos, já vi pessoas julgarem mal das intenções do seu próximo, que eu conhecia muito bem que eram boas. Por mais que eu lhes fizesse entender isso, já não valia a pena. Que pena! Maldito orgulho, quanto mal tu fazes e quantas almas tu conduzes para o inferno!
Que pena! meus irmãos, digamos que cada um fala da “abundância do coração”, como diz muito bem Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo; conhecemos a árvore pelos seus frutos
Quereis conhecer o coração duma pessoa? Escutai-a a falar. Um avarento sabe falar somente dos avarentos, daqueles que enganam, que são injustos; um orgulhoso não pára de aborrecer os ouvintes acerca daqueles que querem se fazer valer aos olhos dos outros, que pensam ter muito espírito, que se gabam do que eles fazem ou dizem. Um impúdico não tem nenhuma palavra na boca, senão que um tal leva uma vida má; que tem uma relação com uma tal, que perdeu a reputação; etc...
(…)
Que pena! meus irmãos, se tivéssemos a alegria de ser isentos do orgulho e da inveja, nunca julgaríamos as pessoas, contentaríamo-nos em chorar sobre as nossas misérias espirituais e rezarmos pelos pobres pecadores, e nada mais; sendo bem convencido que o Senhor apenas nos exigirá de prestar conta das nossas ações e não das dos outros.
Ademais, como nos atrevemos a julgar e a condenar alguém, mesmo ainda que o surpreendêssemos cometendo um pecado? Santo Agostinho não disse que aquele que ontem era um grande pecador, pode ser hoje um santo penitente. Quando vemos muitos males no próximo, digamos ao menos: que pena, se Deus não me tivesse dado mais graças do que a ele, talvez tivesse caído mais gravemente. Sim meus irmãos, o julgamento temerário acarreta necessariamente consigo a ruína e a perda da caridade cristã. De fato, meus irmãos, logo que lançamos uma suspeita sobre alguém de mal se conduzir, já não temos a mesma opinião favorável que deveríamos ter dela. Além disso, meus irmãos, não é a nós que os outros devem prestar conta da sua vida, mas unicamente a Deus; trata-se de se estabelecer em juiz naquilo que não nos compete;
(…)
Tudo isso, meus irmãos, apenas é tempo perdido, que só provém dum orgulho profundo, semelhante ao deste fariseu, que só estava preocupado em pensar e julgar mal do próximo, em vez de bem se cuidar e de gemer sobre a sua própria vida. Não, meus irmãos, deixemos de lado a conduta do próximo, contentemo-nos em dizer, como o santo rei David: “Meu Deu concedei-me a graça de me conhecer, tal como sou, para que eu veja o que pode Vos agradar, que me possa emendar, arrepender e obter o perdão.” Não, meus irmãos, tanto quanto uma pessoa perde o seu tempo em examinar a conduta dos outros, nem ela se conhecerá, nem pertencerá a Deus, quer dizer que continuará a viver no orgulho e na teimosia. O nosso Senhor nos disse: “Não julgueis e não sereis julgados. O Meu Pai vos tratará da mesma maneira do que tratareis aos outros; a mesma medida, que empregareis para os outros, será empregada por vós.”  Que pena! meus irmãos, quantos pecados cometemos desta maneira! Que pena! Quantas pessoas não conhecem estes pecados e por conseqüência nunca os tinham confessado! Meu Deus, quantas pessoas danadas por não se ter deixado instruir sobre este assunto e de não ter bem refletido nisso! Ademais, meus irmãos, quem dentre vós estaria contente se alguém julgasse mal do que ele faz ou diz? Ninguém na verdade. Nosso Senhor não disse: “Não fazeis aos outros o que não desejais que se façais a vós. [como há telhados de vidro imprudentes que jogam pedras para o alto!!! Mesmo que vistam batina... continuam a ter telhado de vidro!!!]
(…)
Santo Agostinho, sendo bispo, tinha um tal horror da maledicência e do maledicente, que por parar um costume tão mau, e tão indigno dum cristão, que mandou escrever na sala de jantar, estas palavras: “Quem ama dilacerar a reputação do seu próximo, deve saber que esta mesa lhe é proibida”. Se alguém, até dentre de bispos, infringisse a regra e desatava a proferir maledicência, com tão vivacidade cesurava-o, que chegava a dizer-lhe: “Quer apagai estas palavras escritas nesta casa, quer levantai-vos e ide embora para as vossas casas, antes do fim da refeição; ou se não quereis acabar com estes discursos, eu mesmo me levantarei e vos deixarei ai sozinhos.”
(…)
Feliz aquele que deixará ao lado a conduta do próximo, não sendo encarregado dela, para só pensar em si próprio, gemendo sobre as suas faltas e fazendo todos os esforços para emendar-se! Feliz quem seja apenas preocupado na sua mente e no seu coração das coisas que respeitam a Deus, empregando a sua língua unicamente para pedir perdão a Deus, e os seus olhos para chorar sobre os seus pecados...!
(…)
Se me perguntais o que é a maledicência, eu dir-vos-ei: É fazer conhecer um defeito ou uma falta do próximo duma maneira capaz de prejudicar, mais ou menos, à sua reputação e isso se comete de várias maneiras:
1° Fazemos maledicência quando imputamos ao próximo um mal que ele não fez ou um defeito que ele não tem, é o que se chama uma calúnia; crime infinitamente horrível, que, no entanto, é muito comum. Não vos enganeis, meus irmãos, da maledicência à calúnia, há apenas um pequeno passo. Se examinarmos bem as coisas, repararemos que quase sempre, acrescentamos ou aumentamos ao mal que denunciamos do próximo. (...) Há um santo Padre que afirma que deveríamos expelir os maledicentes da sociedade dos homens como feras perigosas.
Maldizemos quando aumentamos o mal que o próximo fez. Vistes alguém cometer uma coisa: o que fazeis? Em vez de encobrir o pecado com o manto da caridade, ou, ao menos, diminui-lo, aumentai-o.
(…)
3° Maldizemos, quando fazemos conhecer, sem razão legítima, um defeito escondido do próximo, ou uma falta que não é conhecida. Há pessoas que imaginam que quando sabem algum mal do próximo, podem revelá-lo aos outros e conversar sobre ele. Enganai-vos meus amigos. O que temos de mais recomendável na nossa religião do que a caridade?
(…)
Maldizemos, quando interpretamos mal as boas ações do próximo. Há pessoas que são semelhantes a aranhas, que torna em veneno as melhores coisas. (…)
A língua do maledicente é como que um verme que rói os bons frutos, quer dizer, as melhores ações do mundo e se esforça de torná-las em má parte. A língua do maledicente é como que uma lagarta, que suja as mais lindas flores, deixando uma baba desgostosa atrás dela.
5° Podemos maldizer calando-nos, e eis como: Louvamos na vossa presença uma pessoa que sabemos ser conhecida de vós; ficando calado e apenas louvando-a fracamente: o vosso silêncio e a vossa reserva faz pensar que conheceis sobre ela alguma coisa de mau que leva a vos calar. Outros, maldizem por compaixão. Não sabeis, dizem eles, que conheceis bem esta pessoa; sabeis o que lhe aconteceu? Que pena que se deixou enganar!... Não é verdade, sois como eu, não o tendes acreditado?...
São Francisco diz-nos que tal maledicência é semelhante a uma flecha envenenada, que se mergulha no azeite, para que penetre mais à fundo. Até mesmo um gesto, um sorriso, um mas..., um aceno de cabeça, um ar de desprezo: tudo isso dá muito que pensar da pessoa de que se fala.
Mas, a maledicência mais negra e mais funesta nas suas conseqüências, é de relatar a alguém o que um outro disse dele ou fez contra ele. Estes relatórios fazem males mais horríveis, que despertam sentimentos de ódio, de vingança, que, às vezes, podem permanecer até à morte.
Para vos mostrar como esta espécie de gente é culpável, escutai o que diz o Espírito Santo: “Há seis coisas que Deus odeia, mas detesta a sétima, e esta sétima são os relatórios(como bem sei disso!!!). Eis pelo menos, meus irmãos, em quantas maneiras podemos pecar por maledicência. Examinai o vosso coração, e vede se sois, em alguma coisa, culpáveis nesta matéria.
Primeiro, eu vos direi que não devemos acreditar facilmente no mal que se diz dos outros, e, apesar duma pessoa acusada não se defender, não devemos, assim, acreditar que o que se diz seja muito certo; (…)
Vede, meus irmãos, como a maledicência e a calúnia fazem sofrer pobres inocentes! Quantas há, mesmo no mundo, pobres pessoas que são acusadas falsamente e no julgamento [bendito DIA!!!] serão estimadas inocentes. No entanto, os que são acusados desta maneira devem reconhecer que é Deus que permite isso, e que o melhor meio para eles é abandonar nas mãos de Deus a sua inocência e não se deixar atormentar do fato da sua reputação ser assim ferida, quase todos os santos passaram por esta prova. Vede São Francisco de Sales, que foi acusado diante um grande número de pessoas de ter mandado assassinar um homem para viver com a esposa dele. O santo confiou tudo nas mãos de Deus, e não se deixou afligir por causa da sua reputação ferida. Aos que lhe aconselhavam de defender a sua reputação, respondia que deixava o cuidado de restabelecê-la, a Deus que permitiu que ela fosse ferida, logo que Ele acharia bom. Como a calúnia é coisa muito sensível, Deus permite que quase todos os santos tenham sido caluniados. Penso que o melhor partido que devemos ter neste caso é de se calar, de pedir muito a Deus, de sofrer isso por amor Dele, e de rezar pelos caluniadores. Aliás, Deus só permite isso àqueles pelos quais Ele tem grande desígnios de misericórdia. Se uma pessoa é caluniada, é que Deus decidiu levá-la a uma alta perfeição. Devemos lamentar aqueles que enegrecem a nossa reputação e nos alegrarmos de sofrer isso; porque são benefícios que recebemos para a eternidade. Mas, regressemos agora ao nosso assunto, porque o nosso principal objetivo, é de fazer conhecer o mal que o maledicente faz a ele próprio.
Dir-vos-ei que a maledicência é um pecado mortal, quando a matéria é grave, pois que São Paulo coloca este pecado no número dos que nos excluem do reino do Céu. (...) O Espírito Santo ensina-nos que o maledicente é maldito por Deus, que está em abominação diante de Deus e dos homens. (...) É verdade que a maledicência é mais ou menos grave, segundo a qualidade, a proximidade e a dignidade da pessoa de que falamos. É por conseqüência, um pecado maior de fazer conhecer os defeitos e vícios dos seus superiores, (...) porque devemos ter mais caridade para com os nossos mais próximos, do que pelos outros. Falar mal das pessoas consagradas e dos ministros da Igreja é um pecado ainda maior, por causa das conseqüências que são tão funestas para a religião e por causa do ultraje que se faz contra o caráter sagrado deles. [Uma batina, infelizmente, não isenta ninguém de ser um maldicente]. Escutai, eis o que diz o Espírito Santo, pela boca do profeta: “Maldizer os seus Ministros é tocar na pupila dos olhos de Deus (y)” quer dizer, que nada pode ferir e ultrajá-lo de maneira tão sensível como este crime sempre tão grande, que ninguém consegue compreendê-lo... Jesus Cristo também nos diz: “Aquele que vos despreza, despreza a Mim.(z)”. Assim, meus irmãos, quando estais com paroquianos de outras paróquias, que sempre falam mal dos seus pastores, nunca deveis participar nas conversas; retirai-vos, se possível, ou se não conseguir, calar-se.
Segundo isso, meus irmãos, concordai comigo que para fazer uma boa confissão, não basta dizer que tínhamos feito maledicências contra o próximo; mas dizer ainda se é por ódio, ligeireza, por vingança, se foi para prejudicar a reputação do próximo; precisar se é um superior, um igual, um pai, uma mãe, um dos parentes, pessoas consagradas a Deus; na presença de quantas pessoas: tudo isso é necessário para fazer uma boa confissão.
(…)
Penso que a maledicência encerra quase tudo o que há de pior. Sim, meus irmãos, este pecado encerra o veneno de todos os vícios, a baixeza, da vaidade, o veneno da inveja, a acidez da ira, o fel do ódio e a leviandade tão indigna dum cristão; é o que faz dizer a São Tiago, Apostolo: “que a língua do maledicente é repleta dum veneno mortal, que é um mundo de iniqüidade”. Para quem quer esforçar-se de examinar, não há maior evidência. Não é a maledicência, que semeia a todo lado a discórdia, a divisão, que enreda entre os amigos, que impede os inimigos de se reconciliar, que perturba a paz dos casais, que azeda a relação entre irmãos, entre marido e esposa, entre sogra e nora, entre genro e sogro?
(…)
Sim, meus irmãos, a língua do maledicente envenena todas as boas ações e evidencia todas as más. É ela que difunde sobre uma família máculas que sujam os pais, e passam a manchar os filhos, e assim, de geração em geração, e talvez nunca vão se apagar.
(…)
Com a caridade, não teremos nada a dizer mal de ninguém, isto é, se nos esforçássemos em examinar antes a nossa conduta e não a dos outros. Mas, colocando a caridade de lado, não achareis um só homem na terra em que não encontrareis alguns defeitos; de maneira que a língua do maledicente encontra sempre matéria para falar. Não, meus irmãos, apenas no dia das vinganças o mal causado pelas línguas dos maledicentes evidenciar-se-á. (...) Oh meu Deus! Quanto sangue derramado por uma só calúnia! Mas Deus , que nunca abandona o inocente, permitiu que este desgraçado perecesse pelo mesmo suplício pelo qual ele mesmo queria fazer perecer o judeu Mardoqueu.
(…)
Se as conseqüências da maledicência, meus irmãos, são tão terríveis, a dificuldade da reparação não é menor. Quando a maledicência é considerável, meus irmãos, não basta se confessar; (...) mas, quero dizer que confessando-as, é necessário absolutamente, se é possível, reparar a perda que a calúnia causou ao vosso próximo, e como o ladrão que não devolve o bem roubado nunca entrará no céu, de mesma maneira, aquele que derrubou a reputação do seu próximo, também nunca entrará no céu, enquanto não fez tudo o que depende dele para reparar a reputação do seu vizinho.
Mas, dir-me-eis, como, portanto, devemos proceder para reparar a reputação do seu próximo? — Eis como: Se o que foi dito contra o próximo é falso, é absolutamente necessário ir encontrar todas as pessoas com quem havíamos falado mal desta pessoa, dizendo que tudo o que foi dito era falso, que foi divulgado por ódio, por vingança ou por ligeireza; quando mesmo devéssemos passar por mentirosos, enganadores, impostores, deveríamos fazê-lo. Se o que dizemos é verdade, não podemos nos desdizer, porque nunca é permitido mentir; mas, devemos dizer todo o bem que conhecemos desta pessoa, para apagar o mal que tínhamos dito. Se esta maledicência, esta calúnia causaram-no alguns prejuízos, temos a obrigação de reparar as conseqüências da maledicência.
Vede, meus irmãos, como é custoso admitirmos que somos mentirosos; no entanto, se o que dizemos é falso, devemos fazê-lo, ou nada de céu para nós! Ai meu Deus! meus irmãos, como esta falta de reparação vai condenar muita gente! O mundo está cheio de caluniadores e de maledicentes, e não há quase ninguém que repare, e por conseguinte, quase ninguém será salvo. Não há meia medida, meus irmãos, ou a reparação, quanto for possível, ou a danação. É tal como o bem roubado, vamos ser danados, se podendo devolvê-lo, não o fazemos. Pois bem! meus irmãos, sentis agora o mal que fazeis pela língua e a dificuldade que existe de repará-lo?
É necessário entender que tudo não é maledicência, quando fazemos conhecer os defeitos duma criança aos seus pais, dos servidores aos seus amos, enquanto que estejam na idéia de se corrigirem, que só falamos aos que podem remediar a isso e sempre inspirados pelo vínculo de caridade.
Termino dizendo que não só é mal proceder como maldizer e caluniar, mas ainda, é mal ouvir a maledicência e a calúnia com prazer; porque se ninguém escutasse, não haveria maledicentes. Por aí, passamos a ser cúmplices de todo o mal que faz o maledicente. São Bernardo disse-nos que é muito difícil saber qual dentre o maledicente e o ouvinte, é mais culpável; um tem o demônio na língua, e o outro, nos ouvidos. — Mas, dir-me-eis, o que devemos fazer quando estamos numa companhia que maldiz? — Eis como: se é um inferior, quer dizer, uma pessoa abaixo de vós, deveis fazê-lo calar, fazendo-lhe ver o mal que está provocando. Se é uma pessoa do vosso nível, deveis, habilmente, desviar a conversa, falando doutra coisa, ou tornando-se surdo ou indiferente ao que ela diz. Se é um superior, quer dizer uma pessoa que está acima de vós, não devemos censurá-lo; mas, aparecer com um ar sério e triste, que lhe mostre que ele dá pena, e, se podeis ir embora, é necessário fazê-lo.
(…)
O que devemos concluir de tudo isso, meus irmãos? Eis como: não tomar o costume de falar da conduta dos outros, pensando que haveria muito o que dizer sobre a nossa conta, se as pessoas conhecessem tal como somos, e de fugir das companhias do mundo tanto quanto for possível, e dizer muitas vezes, como Santo Agostinho: “Meu Deus, dai-me a graça de me conhecer tal como souFeliz! Mil vezes feliz, aquele que apenas se servirá da sua língua para pedir a Deus perdão dos seus pecados e cantar os seus louvores! É o que vos desejo...

“A Discórdia”, ilustrada pelo clássico dos quadrinhos Asterix.

Ensinamento do Catecismo

A JUSTIFICAÇÃO OU A SALVAÇÃO DO HOMEM
A. Definição: A Justificação é, no estado da nossa natureza ferida pelo pecado original e pessoal, a passagem do estado de pecado para o estado da graça.
«Jesus Cristo opera a salvação no pecador, mas não sem o pecador (sem a sua colaboração). O pecador, Aquele que te criou sem ti, não te salvará sem ti» Santo Agostinho
B. As disposições: requeridas pela Justificação da parte do pecador são :
1. A Fé, que consiste em crer em Deus e considerar como verdades as coisas reveladas e prometidas por Deus, e sobretudo, a revelação de que é Deus que justifica o pecador pela sua graça, em virtude da Redenção operada por Jesus Cristo.
A boa vontade é aceitar a Fé e acreditar em tudo o que Deus revela, na medida das nossas possibilidades de conhecer as verdades reveladas. Mas, o mínimo é aceitar a existência de Deus e que Deus recompensa os bons que estão à busca d’Ele e castiga os maus que não crêem e não se conformam ao que Deus quer:
«Sem a Fé é impossível agradar a Deus: de fato é necessário que o que se aproxima de Deus, creia que Ele existe e que é remunerador dos que o buscam» (Hebreus 11. 6).
«Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. O que crer e for batizado, será salvo; o que porém, não crer, será condenado» (Marcos 16. 15).
2. O temor da justiça de Deus
O temor de Deus expulsa o pecado. Quem não tem este temor, não poderá ser justo (Eclesiástico 1. 27 e 28).
3. A esperança de ser tratada por Deus com misericórdia por causa do amor de Jesus Cristo.
Aquele que espera no Senhor será saciado (curado). (Provérbios 28. 25). A Ti recorro, ó Senhor: não serei confundido para sempre (Salm. 30. 1). Porque o agarro a Mim, livrá-lo-ei, Protegê-lo-ei, porque reconheceu o Meu Nome. (Salm. 90. 14).
4. Um início de amor de Deus, que é preciso amar como a fonte de toda justiça.
Aquele que não ama permanece na morte (1João 3. 14.).
5. O ódio do pecado e luta contra ele. O amor seja sem fingimento. Aborrecei o mal, aderi ao bem (Rom. 12. 9).
6. A resolução de receber o Batismo (ou o Sacramento da Penitência). de começar a levar uma vida nova e de observar os Mandamentos de Deus. Porém, se queres entrar na vida eterna, guarda os Mandamentos (Mateus 19. 17).
C. As propriedades da Justificação:
1º É incerta. Porque de nada me sinto culpado, mas, nem por isso me dou por justificado; o Senhor é quem me julga (I Coríntios 4. 4).; 2º Não é igual para todos (depende dos méritos).; 3º Pode perder-se; 4º Pode recuperar-se.
D. Sinais da presença da graça em nós:
1.       Pensar muitas vezes em Deus;
2.      Ouvir de bom grado a palavra de Deus, ou falar de Deus;
3.      Guardar os Mandamentos;
4.      Buscar as coisas espirituais e desprezar as coisas da terra;
5.      Exercer as obras de misericórdia.

Fonte: FSSPX (PDF)

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