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sábado, 8 de setembro de 2012

FSSPX: Comunicado de Pe. Bouchacourt comentado

Acréscimo necessário: Falo por mim mesma, não sou marionete de padre, como uns e outros. É uma ação refletida, amadurecida, não acordei hoje pela manhã pensando: "hoje eu vou escrever bobagens no meu blog", como uns e outros. Há meses venho lendo, vendo, observando e... guardando em meu coração. Além de fazer uso da razão que meu Criador me deu quando nasci para compreender que 2+2=4, e para perceber quando a conta não fecha e tirar as minhas próprias conclusões. A todos dei a chance de me convencer de seu "ponto de vista". Contudo, há assuntos que não são meros pontos de vista, mas a diferença entre o Céu e a danação eterna. E se você não sabe a diferença, não pretendo eu gastar latim para lhe convencer de nada. Cuidado com o juízo temerário, o comunicado nos mostra que nem mesmo um reverendo padre e superior de distrito está imune de cair em tentação e lançar acusações levianas e impensadas, em que pese todo o respeito que ele possa merecer. 
Ah! Sim, LEIAM o texto todo, vírgula a vírgula, ponto a ponto, antes de subir no púlpito e desparar incongruências. Se tiver que ser apredejada, que haja um mínimo de justiça. De qualquer maneira, pouco me importa a opinião de quem deveria cumprir seu dever e não o faz por uma miríade de razões vazias. Não é a vós que prestarei conta. Nem vós a mim.  (Editado às 20:10, do dia 08/09/2012).


Eu resolvi publicar o comunicado de Pe. Bouchacourt, Superior do Distrito da América do Sul, não porque concorde com algo do que ele tenha escrito, mas para registrá-lo na história e no tempo, para que depois não digam que ele não disse o que disse. Porque algumas pessoas têm memória curta! Sobretudo os acordistas, os obedientistas e os imbecis de todos os tipos. 
Afinal, se é verdade o que Pe. Bouchacourt diz neste comunicado - de que não houve, nem há, nem haverá acordo -, então é mentira o que está na carta-resposta de Mons. Fellay aos três Bispos ou no documento de conclusão do Capítulo! Sim, porque não pode haver duas Verdades. Ou pode?

E se não há acordo, porque, então, no Priorado de São Paulo (e nos respectivos centros de Missa espalhados pelo Brasil) se gasta tempo e energia explicando aos fieis que o "reconhecimento" (eufemismo para “acordo prático”) é bom, a Prelatura é boa, que a mão estendida do Papa é boa? Foi a mim mesma que o Pe. Maret disse que o acordo (na época se chamava assim mesmo, sem falsos pudores!) era como a pomba que Noé soltou e não voltou: um bom sinal por parte de Roma. Ainda uma vez: não pode haver duas Verdades. Ou pode?

E o que me causa estranheza é que Pe. Bouchacourt, ao que me conste, é responsável pelos padres da FSSPX, não pelas comunidades amigas, cuja responsabilidade era, até onde eu sei, de Mons. de Galarreta. E a pergunta vem urgente e imperiosa: com que autoridade o Pe. Bouchacourt quebra a “colaboração harmoniosa” entre o Mosteiro da Santa Cruz e a FSSPX?
O Superior do Distrito acusa S.E.R. Mons. Williamson de não respeitar as normas... mas ele, agindo assim, por acaso, as respeita? Parece o sujo falando do mal lavado.

E, em última análise, não seria Mons. Fellay quem poderia repreender um Bispo da FSSPX publicamente? Ou o respeito à autoridade só é dogma em relação à Mons. Fellay? Sim, pois, pelo que me conste, Mons. Williamson continua Bispo da FSSPX e de Romana Igreja. Continua um Príncipe da Igreja. Ou não? E com que autoridade um subordinado chama à ordem, repreende, corrige um superior publicamente, despudoradamente? Essa proibição só vale para Pe. Cardozo, Pe. Chazal e os demais padres que se atreveram a dizer que o rei está nu? Onde está o sim, sim, não, não? Porque agora vige a política dos dois pesos e duas medidas na FSSPX? Desde quando e por ordem de quem? E que "bem" se pretende alcançar com isso?  


Aos tontos que se refugiam no obedientismo cego e idiota só tenho a dizer que não me perturbem com suas opiniões baseadas em sua própria estupidez e ignorância. Vão plantar batatas, como diria um bom padre da FSSPX que ainda espero ver tomar a coragem de seguir seu Pai espiritual, o Fundador da FSSPX, naquele sim, sim, não, não que sempre o distinguiu e que eu admirava, e que ultimamente anda calado. Ainda confio em vós, reverendo!

Aos fieis perplexos como eu, mas ainda confusos ou inseguros, aconselho-os a ler os escritos de Mons. Lefebvre, sobretudo o Itinerário Espiritual (Pdf em espanhol), o meu preferido. Ou Acuso o Concílio, Golpe de Mestre de Satanás, ou qualquer outro; todos são preciosos e inequívocos. Nada melhor que ir à fonte e não se manter refém das palavras, opiniões e doutrinação alheia, mesmo que venha embalada em uma linda e lustrosa batina. Ou na minha palavra. 

Seria instrutivo também ler os discursos, conferência e sermões de Mons. Lefebvre, sobretudo os posteriores às excomunhões, que retratam fielmente o pensamento deste Santo homem de Igreja, e não podem ser manipulados segundo os interesses do momento. Lamentavelmente, é preciso garimpá-los na Net, pois - acreditem se quiserem! - a própria FSSPX não os tem, nem os publica nos sites que mantém pelo mundo afora. Certifiquei-me disso pessoalmente! Parecem ter-se tornado tabu, como na ordem salesiana, por exemplo, onde é proibido aos seminaristas e ao padres - pelo menos em minha cidade - aceder à parte da biblioteca que guarda as obras do fundador. Caminhamos nesse sentido? A coisa vai mal, então. 

Quem tiver algo de Mons. Lefebvre, guarde com cuidado - e se possível me envie - porque estamos vivendo um verdadeiro "1984", em que a imagem e a vontade do Fundador estão sendo paulatinamente modificadas à imagem e à semelhança do atual Superior. Vejam vocês que, aqui em Campo Grande, o Pe. Maret disse a uma fiel que não se deve seguir o pensamento de outras pessoas apenas porque com elas temos afinidades (eu sei bem a quem se referia), e quando esta fiel, atônita, perguntou-lhe se isso se aplicava a Mons. Lefebvre, o prior de São Paulo respondeu, com sua voz serena, que Mons. Lefebvre não está mais aqui... Ao ouvir isso, eu fiquei boquiaberta, e imediatamente me veio à mente a obra de Orwell ("1984") e a manipulação das mentes. Eu também pensei na comunhão dos santos, no patrimônio intelectual da Igreja, nos doutores da Igreja, nos grandes teólogos... Todos eles não estão mais aqui! A obra deles por acaso deixou de existir? Não devemos "Seguir o pensamento" de São Tomás de Aquino, dos Santos Apóstolos?... E tudo que Nosso Senhor nos legou? A morte apaga tudo? Também me ocorreu sentir pena, afinal um filho que esquece o pai é de lamentar.

E prestem atenção, meus caros leitores, que na Neo-FSSPX, há hoje, de fato, dois discursos: um público e um privado. Nega-se veementemente o acordo, mas aos poucos os fieis estão sendo preparados para que, no momento oportuno, "percebam" que é uma boa ideia. Afinal, quando se quer cozinhar o sapo, não se joga água quente nele, porque fugiria, mas o caldeirão é aquecido bem devagar: quando o sapo perceber, já é tarde demais!

Graças a Deus, não somos sapos, mas dotados de razão. Causa-me espanto que não se use, que não se percebam os dois discursos, que se tome a água envenenada de bom gosto, sem sequer raciocinar por que 2 + 2 ultimamente estão resultando 5. 

Aqui vai o comunicado, estranhamente publicado em imagem jpg:




Para comentar o comunicado - será que posso? Ou é pecado mortal? - aproveito uns comentários (em azul) exarados em um email enviado há algumas horas a um reverendo sacerdote que me deixou perplexa (será que me responderá, ou o orgulho o cega?):

Deixando de lado as costumeiras ameaças de danação eterna ("ato de grande gravidade cuja responsabilidade os organizadores deverão assumir diante de Deus"), típicas de ditadores, o rev. Pe. Bouchacourt acusa Dom Tomás de enganar as pessoas: "vários fieis foram enganados"... 
   Isso é juízo temerário ou calúnia, pois eu soube com antecedência da vinda de Mons. Williamson, e em momento algum se falou que a viagem havia sido organizada pela FSSPX. Até porque os fieis não são burros e sabem exatamente o que está havendo. E sabem que Mons. Williamson veio por conta própria. Onde o engano, então?

"denuncio com máxima firmeza as acusações indiretas que estão sendo feitas insinuando que a FSSPX queria pactuar com o modernismo e cessar o combate pela defesa da Tradição católica". (Grifos meus) 
   Na verdade, não há "acusações indiretas" nem se "insinua" nada. Tudo é dito às claras e sobre os telhados, com base nas próprias palavras de Mons. Fellay na carta-resposta aos 3 Bispos e no documento de conclusão do Capítulo. (Pe. Bouchacourt não os leu?)

"Essas insinuações são gratuitas, falsas, ofensivas e injuriosas ao nosso Superior Geral e aos membros da FSSPX." 
   Repito: basta ler os documentos acima para constatar que se alguém falseia a verdade aqui não é a "Resistência".

"Se Dom Fellay rejeitou a mão estendida de Roma em 13 de junho, é por razões doutrinárias.
É porque nós rejeitamos o Concílio Vaticano II impregnado de modernismo, que é a causa principal da ruína da Igreja de hoje e porque queremos continuar a dizer isso. É também porque rejeitamos o Novus Ordo Missae, que se afasta da doutrina católica '
no seu conjunto como em detalhes' que nenhum acordo prático foi assinado com Roma." (grifos do original). 
   Não é isto que consta dos documentos citados. Pelo menos não claramente ou expressamente. Ou consta? E onde?

"Esta foi a posição de Dom Lefebvre ontem, esta é a posição de Dom Fellay hoje.
   Oras, só se eles acham que os fieis são idiotas, pois todos os documentos de Mons. Lefebvre utilizados nos últimos tempos foram os anteriores às excomunhões, e quando o rev. Pe. Cardozo começou a defender o seu Pai, superior e fundador da FSSPX, citando as posições dele de 1988 até sua morte... sabemos bem como a coisa acabou!
Manipulação, chama-se quando alguém usa a verdade segundo sua conveniência. Sim, porque os excertos usados por Mons. Fellay para justificar sua sofreguidão pelo acordo - utilize-se o eufemismo que se queira, mas continua a ser um acordo quando duas partes chegam a um denominador comum - são, sim, verdade e verdadeiros, mas para outra situação e outra época.
   E nem se diga, mais uma vez, que hoje os tempos são outros, pois o que mudou? O Papa de hoje é justamente o interlocutor de Mons. Lefebvre naqueles dias. Até onde eu sei, poderia estar expressando sua vontade não a de JPII... 
   E, ainda, o que mudou se a Roma Modernista não se converteu??? Exigência de Mons. Lefebvre para retomar as conversações com Roma!

"O Capítulo de julho passado a confirmou". 
   Onde? Pago um sorvete de pistaches com morangos se alguém me assinalar onde exatamente isso foi confirmado.

"Qualquer outra afirmação não é outra coisa senão manipulação ou mentira". Sic. 
   Quem manipula e mente, afinal? Pe. Bouchacourt - que diz que não teve, não tem, nem haverá acordo ("Qualquer profecia sobre um futuro acordo prático advém de uma imaginação malsã")? Ou Pe. Maret, que gasta tempo e energia em seus sermões e palestras para convencer as pessoas de que o "reconhecimento" (eufemismo) é bom? Ou, ainda, Mons. Fellay que subscreveu o documento conclusivo do Capítulo? Não pode haver mais do que uma Verdade.

Antes de conhecer a FSSPX, eu acreditava piamente que a obediência ao Papa era absoluta, e ele era infalível. Aprendi que não é bem assim. Mas percebo que está quebra de autoridade afetou negativamente a FSSPX, onde parece reinar o "samba do crioulo doido", pois só vejo confusão e discursos convenientes, beirando o relativismo, o "fins que justificam os meios"... Nada é sim, sim, não, não. A não ser a infalibilidade de Mons. Fellay, mesmo quando ele desobedece à vontade de Mons. Lefebvre:
  • "Por isso, não deve surpreender-nos que não fomos capazes de nos entender com Roma. Não é possível, desde que Roma não volte à fé no reino de nosso Senhor Jesus Cristo".
  • "Também, quando se nos coloca a questão de saber quando haverá um acordo com Roma minha resposta é simples: quando Roma recoroar Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós não podemos estar de acordo com aqueles que tiram a Coroa de Nosso Senhor. No dia em que eles reconhecerem novamente Nosso Senhor Rei dos Povos e das Nações, não é nós que eles se unirão, mas à Igreja Católica na qual nós permanecemos".
  • "Monsenhor Lefebvre: está terminado. Fim das negociações. Quanto mais se reflete mais se rende conta que as intenções de Roma não são boas. A prova: é o que se passou com Dom Augustin e o padre de Blignières. Eles querem tudo reunir no Concílio, nos deixando apenas um pouco da Tradição".
  • "M. de Saventhem pensa que ainda há meio de se entender com Roma. Mas não se trata de pequenas coisas. Para Roma, eles ficam do jeito que estão; não se pode dar a mão com esse tipo de gente. Nós não queremos nos deixar engolir. É uma ilusão Dom Gerard imaginar que um acordo nos daria um imenso apostolado. Sim, mas em um quadro equívoco, ambíguo que nos apodreceria."
  • "É a Fraternidade que é o interlocutor válido junto de Roma. Pertencerá ao Superior Geral de retomar contato com Roma no tempo oportuno." Observando, claro, a exigência da prévia conversão de Roma, porque Mons. Lefebvre fala de "tempo oportuno", não de "causa oportuna" ou "motivo oportuno"... Mais claro do que isso!
  • "Ao papa eu digo: quando a Tradição voltar a Roma, não haverá mais problema." (grifo meu)
  • "A excomunhão? ela não valeria nada pois que eles não procuram o bem da Igreja. Mas excomungar vai lhes fazer bem." Porque pediu-se a retirada das excomunhões, então? E o Te Deum??? Eu prefiro continuar excomungada, como Mons. Lefebvre, de uma Igreja à qual nunca pertenci.
  • "E Ratzinger, no momento deste acordo, se alegraria com a partida dos seminaristas." E quem é Ratzinger se não o Papa Bento XVI?
  • "As conversas, embora bem educadas, nos convenceram que o momento para um acordo ainda não veio." (Houve a conversão?)
  • "Garrone, Innocenti, Ratzinger: é o mesmo espírito para conosco. Fontgombault, Port-Marly, sempre a mesma coisa." Olha o Papa Bento XVI aí de novo...
  • "Eles desejam levar nossas obras para o espírito conciliar. Se tivéssemos aceitado estaríamos mortos! Não teríamos durado um ano." Profético? No mínimo... atual!
  • "Seria preciso viver em contato com os conciliares, ao passo que atualmente nós estamos juntos. Si tivéssemos dito sim teríamos uma divisão no seio da Fraternidade; tudo nos teria dividido." Mais uma vez: profético? No mínimo... atual!
  • "É por isso que salvamos a Fraternidade e a Tradição nos afastando prudentemente. Fizemos uma tentativa leal; nós nos perguntamos se poderíamos continuar com tal tentativa e estando protegidos: isso seria impossível. Eles não mudaram, senão para pior. " (grifo meu) E ainda uma vez: profético? No mínimo... atual!
  • "As testemunhas da fé, os mártires, tem sempre a escolher entre a fé e a autoridade." Eu escolho a Fé.
  • "Não se pode mais ter confiança neste mundo de Roma. Ela saiu da Igreja, eles saíram da Igreja, eles saem da Igreja. Isso é certo, certo, certo." (grifo original) E quando exatamente Roma voltou à Igreja para que estejamos conversando com eles?

Fonte: Florilégio de textos de Monsenhor Lefebvre – Pelos Dominicanos de Avrillé.

Mais uma vez, ao tolos: não me aborreçam e se não quiserem receber mais meus e-mails, basta me avisar. Não fazem diferença alguma em minha rotina.  


Aos de boa vontade e de boa fé: continuo à disposição para dirimir qualquer dúvida.

Giulia d'Amore di Ugento


PS: Aos montfortianos que seguem meu blog: :P 


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