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domingo, 31 de julho de 2011

Sobre "preconceito"

Finamente, achei alguém que explica de maneira coerente e prática o que seja preconceito. Não comungo dos pensamentos religiosos do autor, posto que não sou nem poderia ser sedevancantista, mas aqui se trata de Português, não de Religião. Então, podemos ouvi-lo, prudentemente.


Roberto Cavalcanti

Um slogan bastante surrado hoje em dia, repetido insistentemente, principalmente por gays e socialistas, é de que “preconceito é burrice”. Entretanto, pretende-se aqui demonstrar que tal afirmação não passa de um lugar-comum totalmente vazio de significado.

Preconceito significa pré-julgamento. Significa extrair de uma situação ou pessoa uma conclusão antecipada sem que ela possa ter um decisivo amparo da razão. Pré-julgar é algo inevitável. Fazemos pré-julgamentos a todo instante. Exemplos são inúmeros, e importa aqui citar aqueles que demonstram que o preconceito pode não ser burro.

Um exemplo é uma pessoa que instada a decidir entre almoçar entre um restaurante bem conservado e outro que esteja com as suas paredes descascando, faça a primeira escolha. Esta escolha não tem nada de burra. É perfeitamente possível que o restaurante que foi preterido em função daquelas más condições ofereça uma boa comida ou até melhor que o outro. Entretanto, é bastante razoável supor que o desleixo dos proprietários em conservar o estabelecimento interfira na qualidade da comida, de modo que, embora a decisão guiada pelo preconceito não seja racional, pode ser razoável. Com efeito, nem tudo o que não é racional, é irracional. Irracional é aquilo que contraria a razão. Um exemplo são os dogmas católicos e milagres, que não contrariam a razão, mas que não são explicados pela razão. Outro exemplo é o preconceito. Baseado nisso, chamar preconceito de burrice, por não ter o amparo decisivo da razão, é o mesmo que chamar os católicos de burros por crerem em dogmas e milagres que não podem ser explicados pela razão. O princípio é o mesmo.

Outro exemplo de preconceito que não tem nada de burro é uma pessoa que escolha não querer receber transfusões de homossexuais em razão do histórico de doenças ligadas ao homossexualismo. Este pré-julgamento é perfeitamente razoável, considerando que os homossexuais têm 20 vezes mais chances que os héteros de estarem contaminados, segundo a OMS.[1] Ora, a pessoa que, apesar de desconhecer essa informação, rejeita o sangue homossexual por preconceito, é diligente com sua saúde e amor à vida e, por isso, nada tem de burra, pois seu preconceito acaba se confirmando por estatísticas favoráveis à razoabilidade de sua decisão.

Mais um exemplo de preconceito que não é burro é a decisão de um empregador não contratar ex-presidiários. Não significa que todo ex-presidiário volte a delinqüir e com isso prejudicar o empreendimento, mas guiado pela prudência o empregador prefere contratar pessoas sem histórico prisional para não experimentar possíveis problemas. Trata-se certamente de um preconceito, guiado pela prudência, experiência e não pela razão, pois não há estatísticas informando sobre a reiteração da prática criminal por ex-presidiários a fim de amparar tal decisão. Novamente é um preconceito que nada tem de burro.

Desta forma, viemos a constatar através destes exemplos que burros são aqueles que, guiados por slogans falaciosos, tiram conclusões irrefletidas. Há preconceitos guiados por reflexões arbitrárias, assim como há preconceitos guiados pela razoabilidade. Se há uma coisa e outra, tachar o próprio preconceito por burrice é uma generalização extremamente burra.


Alguém discordaria disto, com propriedade? Eu penso que não! 

De qualquer maneira esteja à vontade para comentar logo abaixo.

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Colóquios, Instrução Universae Ecclesiae, Tradição e Mons. Lefebvre - a palavra agora é da FSSPX-Itália

DO BLOG MESSAINLATINO.IT:


Entrevista com Dom Davide Pagliarani



Publicamos uma interessante entrevista concedida a Marco Bongi pelo Superior do Distrito italiano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre os colóquios teológicos da Fraternidade com Roma, o estado cultural e atual do mundo católico da Tradição e um comentário preciso sobre a Instrução Universae Ecclesiae.

26 de julho de 2011

Os colóquios teológicos entre a FSSPX e as Autoridades Romanas chegam ao fim. Mesmo não tendo sido emitido ainda nenhum comunicado oficial, não faltam comentadores que, baseando-se em indiscrições, julguem os colóquios fracassados. Pode nos dizer algo a mais sobre esse assunto?

Penso que seja um erro prejudicial considerar fracassados os colóquios. Esta conclusão foi tirada, talvez, por quem esperava algum resultado estranho à finalidade dos colóquios em si.
O objetivo dos colóquios nunca foi o de chegar a um acordo concreto; mas, sim, o de elaborar um dossiê claro e completo, que evidenciasse as respectivas posições doutrinárias, para ser enviado ao Papa e ao Superior Geral da Fraternidade. Visto que as duas comissões trabalharam pacientemente, abordando substancialmente todos os assuntos em pauta, não vejo por que os colóquios deveriam ser tidos por fracassados.
Os colóquios teriam fracassado se – absurdamente – os representantes da Fraternidade tivessem redigido relatórios que não correspondessem exatamente ao que a Fraternidade sustenta; por exemplo, se tivessem dito que, afinal, a colegialidade ou a liberdade religiosa representam adaptações ao mundo moderno perfeitamente conciliáveis com a Tradição. Por mais que tenha sido mantida certa discrição, penso que posso dizer que não houve risco de se chegar a este resultado de fracasso.
Quem não compreende suficientemente a importância de um tal testemunho por parte de Fraternidade e do que está em jogo, pelo bem da Igreja e da Tradição, inevitavelmente formula juízos que se enquadram em outras perspectivas.

Que perspectivas, segundo o senhor, poderiam ser enganosas?

Em meu modesto parecer, existe uma área tradicionalista, bastante heterogênea, que, por razões diversas, está à espera de algo a partir de uma hipotética regularização canônica da situação da Fraternidade.
1) Certamente há quem espera por uma repercussão positiva para a Igreja universal; a esses amigos, que reputo sinceros, diria, no entanto, de não alimentar ilusões; a Fraternidade não tem a missão nem o carisma de mudar a Igreja em um dia. A Fraternidade pretende simplesmente cooperar para que a Igreja recupere integralmente sua Tradição, e poderá continuar a trabalhar lentamente pelo bem da Igreja somente se continuar sendo, como toda obra da Igreja, uma pedra de tropeço e um sinal de contradição: com ou sem regularização canônica, a qual virá apenas quando a Providência julgar chegada a hora. Além disso, não penso que uma hipotética regularização – no presente – acabaria com aquele estado de necessidade que continua a subsistir na Igreja e que até agora justificou a ação da própria Fraternidade.
2) No lado completamente oposto, há grupos que eu definiria conservadores, no sentido um tanto burguês do termo, os quais se apressam em dizer que os colóquios fracassaram, equiparando-os a uma negociação para se chegar a um acordo: uma tentativa mal disfarçada de poder demonstrar o mais rápido possível que a Tradição, tal qual é encarnada pela Fraternidade, não poderia nunca ter direito a uma cidadania dentro da Igreja. Esta pressa é determinada não tanto por um amor desinteressado pelo futuro da Igreja e pela pureza de sua doutrina, mas por um medo real do impacto que a Tradição propriamente dita possa ter diante da fragilidade de posições conservadoras ou neoconservadoras. Na verdade, tal reação revela uma vagarosa tomada de consciência – embora não confessada – acerca da inconsistência e fraqueza intrínseca de tais posições.
3) Acima de tudo, porém, me parece detectar a existência de grupos e posições que esperam por algum benefício particular a partir de uma regularização canônica da Fraternidade, mas sem desejar tornar própria a batalha da Fraternidade, assumindo também os ônus e as consequências.
Há, de fato, no diversificado arquipélago tradicionalista, numerosos "comentaristas" que, mesmo expressando uma substancial discordância com a linha da Fraternidade, observam com extremo interesse o desenvolvimento de nosso caso, esperando por alguma repercussão positiva em suas instituições de referência ou nas situações locais em que estão envolvidos. Estou impressionado com as fibrilações a que esses comentaristas estão sujeitos sempre que um mínimo rumor aflora sobre o futuro da Fraternidade.
Penso, todavia, que o fenômeno seja facilmente explicável.

Por quê?

Trata-se de uma categoria de fiéis ou de sacerdotes fundamentalmente  decepcionados e que percebem – com razão – uma sensação de instabilidade pela sua situação futura.
Eles percebem que a maioria das promessas em que acreditaram tem dificuldades em ser mantidas e implementadas.
Eles esperavam que, com o Summorum Pontificum primeiro e a Universae Ecclesiae depois, tivessem sido garantidas e eficazmente tuteladas a plena cidadania e a liberdade para o rito tridentino, mas percebem que as coisas não funcionam de forma pacífica, especialmente em relação aos episcopados.
Consequentemente – e infelizmente – a estes grupos interessa o êxito do caso da Fraternidade, não tanto pelos princípios doutrinários que o suportam e pelo alcance que poderia ter sobre a própria Igreja, mas antes em uma perspectiva instrumental: a Fraternidade é vista como uma tropa de choque de sacerdotes que já não têm nada a perder, mas, se lograrem algo significativo para a congregação deles, criarão um precedente jurídico ao qual também outros poderão apelar-se.
Esta atitude, moralmente questionável e talvez um pouco egoísta, tem, no entanto, duas qualidades positivas:
Antes de tudo, a de demonstrar, paradoxalmente, que a posição da Fraternidade é a única credível, a partir da qual poderá surgir algo de interessante e à qual muitos acabam fazendo referência, mesmo a contragosto.
A segunda qualidade positiva é a de evidenciar que, se não for privilegiada a via doutrinária para permitir que a Igreja recupere sua Tradição, necessariamente se escorrega em uma perspectiva diplomática, feita de cálculos incertos e resultados instáveis, e nos expomos a dramáticas desilusões.

Se o Vaticano oferecesse à Fraternidade, por hipótese, a oportunidade de organizar-se em Ordinariato imediatamente subordinado à Santa Sé, como poderia ser recebida esta proposta?

Seria levada serenamente em consideração, com base nos princípios e nas prioridades e, sobretudo, na prudência sobrenatural, a que os superiores da Fraternidade sempre se inspiraram.

Poderia nos dizer mais alguma coisa?

Eu só posso repetir o que foi explicado claramente e desde sempre pelos meus superiores: a situação canônica na qual se encontra atualmente a Fraternidade é consequência de sua resistência aos erros que infestam a Igreja; portanto, a possibilidade de a Fraternidade chegar a uma situação canônica regular não depende de nós, mas da aceitação, por parte da hierarquia, da contribuição que a Tradição pode oferecer para a restauração da Igreja.
Se não se chega a alguma regularização canônica, significa simplesmente que a hierarquia não está ainda suficientemente convencida da necessidade e da urgência desta contribuição. Neste caso, será necessário esperar ainda algum tempo, na esperança de um incremento desta consciência, o qual poderá ser coextensivo e paralelo à aceleração do processo de autodestruição da Igreja.

"Vale mais o pouco de bem que pode ser feito em Roma, do que o muito bem que se pode fazer em outro lugar". Esta frase muito significativa, pronunciada por Mons. De Galarreta nas ordenações sacerdotais de Ecône, interpela diretamente o nosso distrito. Certamente ele estava se referindo prevalentemente aos colóquios teológicos, mas não há dúvida de que a imagem da Fraternidade na Itália, devido à sua proximidade com Roma, assume um significado muito particular. Como vivenciou o senhor, que é o Superior do Distrito italiano, esta importante afirmação?

O que foi dito pelo Bispo em Ecône corresponde a uma profunda convicção da Fraternidade, e a afirmação me parece óbvia para um espírito verdadeiramente católico: não me parece que tenha algo de surpreendente.
Eu penso que as palavras de Mons. De Galarreta resumem perfeitamente o espírito romano com o qual a Fraternidade quer servir a Igreja romana: fazer o possível para que a Igreja retome sua Tradição, a começar pela própria Roma.
A História da Igreja nos ensina que nenhuma reforma pode ser universal, eficaz e duradoura se Roma não a tornar própria, e se esta não partir de Roma.

Sobre essas questões, muitos observadores externos argumentam que haveria uma divisão interna na FSSPX, entre uma ala chamada "romana", mais inclinada a dialogar com as autoridades, e outra "galicana"[1], hostil a qualquer aproximação com o Papa. Para além da excessiva simplificação e nos limites nos quais o senhor pode se expressar, acredita que tal ideia tenha fundamento?

Como em qualquer sociedade humana, também na Fraternidade existem nuanças e sensibilidades diversas entre os vários membros. Pensar o contrário seria até um pouco pueril.
Todavia, eu penso que se caia facilmente nas simplificações acima quando se perde a serenidade do julgamento ou nos expressamos com base em preconceitos pré-concebidos[2]: se acaba criando partidos e colocando neles, sem muito discernimento, uns ao invés de outros.
Para os membros da Fraternidade está claro que a identidade de sua Congregação é construída ao redor de um eixo definido e preciso que se chama Tradição; é sobre este princípio, universalmente compartilhado dentro da Fraternidade, que é construída a própria Fraternidade; e penso que seja objetivamente impossível encontrar um princípio de identificação e de coesão mais forte: e é justamente esta coesão basilar sobre o que é essencial que permite a cada indivíduo ter nuanças diferentes sobre tudo aquilo que é opinável.

Eu penso que uma certa impressão de não homogeneidade seja dada pela considerável diferença no tom que os membros da Fraternidade utilizam nas diferentes sedes, nas diferentes conjunturas, nos diferentes países e, sobretudo, diante das diferentíssimas e contraditórias posições que os representantes da hierarquia oficial revelam contra nós e contra tudo que recende a Tradição. A percepção desses dados por vezes mingua naqueles que avaliam cada declaração, descontextualizando-a e nivelando-a on-line, diante da própria tela do computador.
Trata-se, certamente, de considerações de não imediata evidência para o observador externo.

No dia 13 de maio foi publicada a instrução "Universae Ecclesiae", que pretende disciplinar concretamente a aplicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum". Como é avaliado este importante documento pela FSSPX?

Este documento é um resumo que, de um lado, exprime a clara vontade de implementar as diretrizes do Motu Proprio e, de outro, leva em conta as numerosas objeções, explícitas e implícitas, que os episcopados moveram contra o Summorum Pontificum, os quais – não é nenhum segredo – são fundamentalmente hostis à repristinação do rito tridentino.
Antes de tudo, é de se dizer que a repristinação da liturgia de 1962 é uma lei universal para a Igreja. Em segundo lugar, a instrução cumpre um claro esforço para tutelar, sobretudo em sede estritamente jurídica, os sacerdotes que viessem e ser obstaculizados no uso do missal tridentino por seus ordinários.
Com alguma fineza, é lembrado aos bispos que cabe justamente a eles garantir aqueles direitos... Pela tutela dos quais é possível interpor recurso contra os próprios ordinários.
Estes me parecem, em poucas palavras, os pontos mais positivos.

Entretanto, o art. 19 da instrução "Universae Ecclesiae" declara que não estão autorizados a pedir a Santa Missa de sempre os fiéis que não reconhecem a validade e a legitimidade do Missal Reformado de Paulo VI. Como avalia essa limitação?

Com toda a sinceridade, não consigo avaliá-la porque a tenho por incompreensível.
Eu sempre acreditei que o santíssimo rito da Missa tivesse um valor intrínseco, especialmente em relação ao fim latrêutico[3] que lhe é peculiar.
Independentemente de qualquer outra consideração, não dá para entender em que base jurídica ou teológica o valor de um rito plurissecular, declarado nunca ab-rogado, e a possibilidade de celebrá-lo possam ser determinados pelas disposições subjetivas de quem assiste ou o requer.
Entra-se em uma perspectiva insana e impraticável. Por exemplo, o que deveria fazer um sacerdote que percebesse que, dos 10 fiéis que requerem a celebração da Missa, 5 tivessem objeções à Missa de Paulo VI? O que deveria fazer um sacerdote se tivesse ele próprio gravíssimas reservas sobre o novo rito, uma vez que a limitação se aplica somente aos fiéis?[4]  
Se os dois ritos são considerados duas formas equivalentes do mesmo rito romano, não dá para entender por que o rito tridentino é tão perigoso que se faz necessário postular uma espécie de exame prévio de admissão.
Finalmente, se se entra honestamente em tal lógica, não dá para entender por que não foi requerido aos sacerdotes e aos bispos que rejeitam abertamente o rito tridentino que se abstenham de celebrar o novo até que desistiam de seu propósito.
Penso que o art. 19 da Instrução, se, por um lado, é expressão de uma típica atitude diplomática, por outro, possa, infelizmente, ser comparado a uma espécie de mal disfarçada chantagem moral. Ele revela a consciência, por parte dos bispos, de que a Missa Tridentina veicula inevitavelmente uma eclesiologia incompatível com a do Concílio[5] e do Novus Ordo. Consequentemente, a Missa Tridentina pode ser concedida somente exercitando um controle direto sobre as consciências dos fiéis. Tal coisa me parece um tanto alarmante.

Há, no documento, outras questões nas quais, segundo seu parecer, emerge a vontade de exercitar um controle deste tipo?

Na minha modesta opinião, há um em particular. Enquanto o Motu Proprio repristinava, além do missal, o livre uso de todos os livros litúrgicos, a instrução proíbe tal uso em um caso bem concreto: o das ordenações sacerdotais, exceto para os institutos religiosos ligados à Ecclesia Dei ou que já utilizam o rito tridentino (cfr. art. 31).
Isto é bastante surpreendente, especialmente no caso das ordenações diocesanas, considerando que a eclesiologia moderna insiste tanto em reconhecer no bispo diocesano o moderador da liturgia e o verdadeiro liturgo[6] enquanto sucessor dos apóstolos; todavia, a explicação parece ser bastante óbvia, se nos referimos aos clássicos compromissos tipicamente curiais.
É evidente que, enquanto um instituto Ecclesia Dei é diretamente controlado pelo organismo vaticano competente, com tanto de estatuto assinado e referendado (darei um exemplo, neste mesmo local), um bispo que utilizasse os livros litúrgicos de 1962 não poderia ser controlado nos mesmos termos.
Consequentemente, o pedido formal e peremptório de proceder às ordenações segundo o novo rito é o sinal externo considerado suficiente para demonstrar que os ordenandos, e o próprio bispo, aceitam plenamente o art. 19 da Instrução, adotando o novo rito para o evento indubitavelmente mais importante e significativo de suas vidas e da vida da diocese.
Este pedido tem, afinal, um valor análogo à prática quase universal inerente à aplicação do indulto de 1984: nas várias dioceses em que o indulto era concedido, requeria-se de não celebrar no rito tradicional no Natal e na Páscoa, de modo a permitir aos fiéis de expressarem sua ligação com a paróquia e, portanto, sua aceitação do rito de Paulo VI.
Foi significativa também, na mesma linha, a injunção imposta em 2000 à Fraternidade São Pedro, para que aceitasse que os seus membros pudessem celebrar livremente segundo o novo rito, juntamente com o caloroso convite para concelebrar com os bispos diocesanos pelo menos na Quinta-feira Santa, para exprimir sua comunhão com o ordinário local e, portanto, sua pública e perfeita aceitação do Novus Ordo Missae; note-se que, embora a Fraternidade São Pedro seja um instituto Ecclesia Dei, a medida se revelou necessária exatamente no momento em que dentro da congregação se faziam mais fortes, em alguns membros refratários, os tons de oposição ao rito de Paulo VI. Na mesma conjuntura foi demitido, diretamente pela Ecclesia Dei, o então superior geral, que foi substituído por um sacerdote escolhido, não pelo capítulo, mas imposto pela própria Ecclesia Dei.
Na época, era prefeito da Congregação para o Culto Divino o Cardeal Medina Estevez, enquanto o Cardeal Castrillon Hoyos ocupava há pouco tempo o cargo de presidente da Ecclesia Dei.
Nessas circunstâncias, a injunção da instrução, unida ao referido art. 19, parece inspirar-se mais no indulto de João Paulo II do que no motu próprio de Bento XVI.
Agora, porém, foi certificado pelo próprio Bento XVI que o indulto de 1984 pretendia conceder generosamente, em alguns casos e sob certas condições específicas, o uso de um Missal na realidade nunca ab-rogado: a Universae Ecclesiae parece recair neste absurdo jurídico e moral, compreensível apenas em um contexto de desprezo e medo – prefiro não falar de ódio – em relação a tudo que recende a tridentino.
Para coroar tudo, dado que todo mundo sabe que a Fraternidade jamais aceitará nem o art. 31 nem o art. 19, eis que todos os descontentes a criticam, de um lado, pela sua "desobediência", tentando assim ostentar a própria "legalidade", e, de outro, a observam, esperando que sua intransigência obtenha, por tabela, algo de positivo para eles também.
E, assim, reinicia-se aquele mecanismo do "sequebatur a longe ut videret finem"[7] e da esperança instrumental sobre a Fraternidade, a que já nos referimos.

Em 2011, completam-se vinte anos da morte de Mons. Marcel Lefebvre. Após duas décadas, a sua figura continua a provocar discussões e, na verdade, parece até que, quanto mais o tempo passa, mais suscite interesse nos ambientes eclesiais e culturais. Qual é a razão, em sua opinião, dessa "segunda juventude" de um Prelado julgado por muitos como anacrônico e velho?

Mons. Lefebvre incorporou algo atemporal: a Tradição da Igreja. E se houve um bispo no qual a Tradição nunca deixou de ser "vivente" (se me permitem usar o termo) foi exatamente o Bispo "rebelde". Por exemplo, o único prelado que nunca deixou de celebrar publicamente no rito tradicional, então erroneamente considerado ab-rogado e banido, foi o fundador da Fraternidade São Pio X: ele não se limitou a repassar às novas gerações um missal impresso e empoeirado, mas guardou e transmitiu um tesouro vivo e real, presente cotidianamente sobre o altar, pelo qual ele era completamente envolvido em toda a sua pessoa.
Se realmente começou uma tomada de consciência de que a crise da Igreja tenha suas raízes e se manifeste especialmente em uma crise do sacerdócio e da liturgia, é inevitável que se faça referimento àquele que gastou todas as suas energias para salvar a um e à outra.
Portanto, é inevitável que, se se fala de Missa Tridentina ou de Tradição, até o mais relutante é obrigado a falar dele, mesmo que seja para tomar distância e para autoproclamar-se politicamente correto.
Mas quem fala dele, bem ou mal, não pode fazê-lo sem falar de uma Tradição que, longe de ser "lefebvriana", é simplesmente e para sempre católica.



Tradução: Pale Ideas



[1] Galicana. O mesmo que "francesa", a origem do nome provém de Gália, nome antigo da França. É usado em oposição a "romana", para dar a entender que são contrários a Roma e, portanto, ao Papa. Rebeldes. NDT.
[2] Tautologia julgada necessária pelo autor. NDT
[3] Latrêutico. Relativo a latria, adoração, culto.  NDT
[4] Na verdade, o simples sacerdote é obrigado a reconhecer a plena legitimidade do novo rito, pelo menos no dia de sua ordenação, como esclarecido em seguida. NDR
[5] Refere-se ao Concílio Vaticano II. NDT
[6] Liturgo. Pessoa versada em liturgia. Usa-se também liturgista. NDT
[7] "sequebatur a longe ut videret finem". Mateus 26,58: "seguia... de longe... para ver como terminaria aquilo". Refere-se a quem, sem querer se envolver diretamente, observa de longe os resultados de um evento. NDT

quarta-feira, 27 de julho de 2011

o Católico e a Maçonaria

“Para um cristão católico, todavia, não é possível viver a sua relação com Deus numa dúplice modalidade, isto é, dividindo-a numa forma humanitária – super-confessional e numa forma interior – cristã. Não pode cultivar relações de duas espécies com Deus, nem exprimir a sua relação com o Criador através de formas simbólicas de duas espécies. Isto seria algo de completamente diverso daquela colaboração, que para ele é óbvia, com todos aqueles que estão empenhados na prática do bem, embora a partir de princípios diversos. Por outro lado, um cristão católico não pode participar ao mesmo tempo na plena comunhão da fraternidade cristã e, por outro lado, olhar para o seu irmão cristão, a partir da perspectiva maçónica, como para um “profano”.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre o silêncio


Os doze graus do silêncio
Irmã Amada de Jesus

Livre-tradução do Artigo "Los doce grados del silencio" de "Sor Amada de Jesús" (carmelita) publicado em "Cuadernos de La Reja" número 2, do Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora da FSSPX.

A vida interior poderia consistir só nesta palavra: Silêncio! O silêncio prepara os santos; ele os começa, os continua e os acaba. Deus, que é Eterno, não diz mais que uma só palavra, que é o Verbo. Do mesmo modo, seria desejável que todas as nossas palavras digam Jesus, direta ou indiretamente. Esta palavra: silêncio, quão formosa és!

1º Falar pouco às criaturas e muito a Deus: Este é o primeiro passo, mas indispensável, nas vias solitárias do silêncio. Nesta escola é onde se ensinam os elementos que dispõe à união divina. Aqui a alma estuda e aprofunda esta virtude, no espírito do Evangelho, no espírito da Regra que abraçou, respeitando os lugares consagrados, as pessoas, e sobretudo esta língua na qual tão freqüentemente descansa o Verbo ou a Palavra do Pai: o Verbo feito carne. Silêncio ao mundo, silêncio às notícias, silêncio com as almas mais justas: a voz de um Anjo turbou Maria...

2º Silêncio no trabalho, nos movimentos: Silêncio no porte; silêncio dos olhos, dos ouvidos, da voz; silêncio de todo o ser exterior, que prepara a alma para passar a Deus. A alma merece tanto quanto pode, por estes primeiros esforços em escutar a voz do Senhor.
Que bem recompensado é este primeiro passo!
Deus a chama ao deserto, e por isso, neste segundo estado, a alma aparta tudo o que poderia distraí-la; se distancia do ruído e foge, sozinha, Àquele que somente é. Ali ela saboreará as primícias da união divina e o zelo de seu Deus. É o silêncio do recolhimento, ou o recolhimento do silêncio.

3º Silêncio da imaginação: Esta faculdade é a primeira em chamar à porta fechada do jardim do Esposo; com ela vêm as emoções alheias, as vagas impressões, as tristezas. Mas neste lugar retirado, a alma dará ao Bem Amado provas de seu amor. Apresentará a esta potência, que não pode ser destruída, as belezas do céu, os encantos de seu Senhor, as cenas do Calvário, as perfeições de seu Deus. Então, também ela permanecerá no silêncio e será a servente silenciosa do Amor divino.

4º Silêncio da memória: Silêncio ao passado... esquecimento. Há que saturar esta faculdade com a recordação das misericórdias de Deus... É o agradecimento no silêncio, é o silêncio da ação de graças.

5º Silêncio às criaturas: Oh, miséria de nossa condição presente! Com freqüência a alma, atenta a si mesma, se surpreende conversando interiormente com as criaturas, respondendo em seu nome. Oh, humilhação que fez gemer os santos! Nesse momento esta alma deve retirar-se docemente às mais íntimas profundezas deste lugar escondido, onde descansa a Majestade inacessível do Santo dos santos, e onde Jesus, seu consolador e seu Deus, se descobrirá a ela, lhe revelará seus segredos e a fará provar a bem-aventurança futura. Então lhe dará um amargo desgosto para tudo o que não é Ele, e tudo o que é da terra deixará pouco a pouco de distraí-la.

6º Silêncio do coração: Se a língua está muda, se os sentidos se encontram na calma, se a imaginação, a memória e as criaturas se calam e fazem silêncio, se não ao redor, ao menos no íntimo desta alma de esposa, o coração fará pouco ruído. Silêncio dos afetos, das antipatias; silêncio dos desejos no que tem de demasiado ardente; silêncio do zelo no que tem de indiscreto; silêncio do fervor no que tem de exagerado; silêncio até nos suspiros... Silêncio do amor no que tem de exaltado, não dessa exaltação da qual Deus é autor, senão daquela na qual se mistura a natureza. O silêncio do amor é o amor no silêncio...
É o silêncio diante de Deus, suma beleza, bondade, perfeição... Silêncio que não tem nada de chateado, de forçado; este silêncio não danifica a ternura, o vigor deste amor, de modo semelhante a como o reconhecimento das faltas não danifica tampouco o silêncio da humildade; nem o bater das asas dos anjos de que fala o profeta, o silêncio de sua obediência; nem o fiat, o silêncio de Getsemani; nem o Sanctus eterno, o silêncio dos Serafins...
Um coração no silêncio é um coração de virgem, é uma melodia para o coração de Deus. A lâmpada se consome sem ruído diante do Sacrário, e o incenso sobe em silêncio até o trono do Salvador: assim é o silêncio do amor. Nos graus precedentes, o silêncio era ainda a queixa da terra; neste, a alma, por sua pureza, começa a aprender a primeira nota deste cântico sagrado que é o cântico dos céus.

7º Silêncio da natureza, do amor próprio: Silêncio à vista da própria corrupção, da própria incapacidade. Silêncio da alma que se compraz na sua baixeza. Silêncio aos louvores, à estima. Silêncio diante dos desprezos, das preferências, das murmurações; é o silêncio da doçura e da humildade. Silêncio da natureza diante das alegrias ou dos prazeres. A flor se abre no silêncio, e seu perfume louva em silêncio ao Criador: a alma interior deve fazer o mesmo. Silêncio da natureza na pena ou na contradição. Silêncio nos jejuns, nas vigílias, nas fadigas, no frio e no calor. Silêncio na saúde, na enfermidade, na privação de todas as coisas: é o silêncio eloqüente da verdadeira pobreza e da penitência; é o silêncio tão amável da morte a todo o criado e humano. É o silêncio do eu humano transformando-se no querer divino. Os estremecimentos da natureza não poderiam turbar este silêncio, porque está acima da natureza.

8º Silêncio do espírito: Fazer calar os pensamentos inúteis, os pensamentos agradáveis e naturais; só estes danificam o silêncio do espírito, e não o pensamento em si mesmo, que não pode deixar de existir. Nosso espírito quer a Verdade, e nós lhe damos a mentira! Agora bem, a Verdade essencial é Deus! Deus é o bastante à sua própria inteligência divina, e não basta à pobre inteligência humana!
No que concerne a uma contemplação de Deus perene e imediata, não é possível na debilidade da carne, a não ser que Deus conceda um puro dom de sua bondade; mas o silêncio nos exercícios próprios do espírito consiste, em relação à fé, em contentar-se com sua luz escura. Silêncio aos raciocínios sutis que debilitam a vontade e dissecam o amor. Silêncio na intenção: pureza, simplicidade; silêncio às buscas pessoais; na meditação, silêncio à curiosidade; na oração, silêncio às próprias operações, que não fazem mais que entravar a obra de Deus. Silêncio ao orgulho que se busca em tudo, sempre e em todas as partes; que quer o belo, o bem, o sublime; é o silêncio da santa simplicidade, do desprendimento total, da retidão.
Um espírito que combate contra tais inimigos é semelhante a esses anjos que vêem sem cessar a Face de Deus. Esta é a inteligência, sempre no silêncio, que Deus eleva a si.

9º Silêncio do juízo: Silêncio quanto às pessoas, silêncio quanto às coisas. Não julgar, não deixar ver a própria opinião. Não ter opinião às vezes, ou seja, ceder com simplicidade, sem nada se opor a ele por prudência ou por caridade. É o silêncio da bem-aventurada e santa infância, é o silêncio dos perfeitos, o silêncio dos anjos e dos arcanjos, quando seguem as ordens de Deus. É o silêncio do Verbo encarnado!

10º Silêncio da vontade: O silêncio aos mandamentos, o silêncio às santas leis da regra, não é, por dizer assim, mais que o silêncio exterior da própria vontade. O Senhor tem algo que ensinar-nos de mais profundo e de mais difícil: o silêncio do escravo sob os golpes de seu amo. Mas, feliz escravo, pois o Amo é Deus! Este silêncio é o da vítima sobre o altar, é o silêncio do cordeiro que é despojado de sua pele, é o silêncio nas trevas; silêncio que impede pedir a luz, ao menos a que alegra. É o silêncio nas angústias do coração, nas dores da alma; o silêncio de uma alma que se viu favorecida por seu Deus, e que, sentindo-se rechaçada por Ele, não pronuncia nem sequer estas palavras: Por que? Até quando? É o silêncio no abandono; o silêncio sob a severidade do olhar de Deus, sob o peso de sua mão divina; o silêncio sem outra queixa que a do amor. É o silêncio da Crucifixão, é mais que o silêncio dos mártires, é o silêncio da agonia de Jesus Cristo. Se este silêncio é seu divino silêncio, e nada é comparável à sua voz, [então] nada resiste à sua oração, nada é mais digno de Deus que esta classe de louvor na dor, que este fiat no sofrimento, que este silêncio no trabalho da morte.
Enquanto esta vontade humilde e livre, verdadeiro holocausto de amor, se despedaça e se destrói para a glória do nome de Deus, Ele a transforma em sua vontade divina. Então o que falta para sua perfeição? O que requer ainda para a união? O que falta para que Cristo seja acabado nesta alma? Duas coisas: a primeira é o último suspiro do ser humano; a segunda é uma doce atenção ao Bem Amado, cujo beijo divino é a inefável recompensa.

11º Silêncio consigo mesmo: Não falar-se interiormente, não escutar-se, não queixar-se nem consolar-se. Em uma palavra, calar-se consigo mesmo, esquecer-se de si mesmo, deixar-se só, completamente só com Deus; fugir, separar-se de si mesmo. Este é o silêncio mais difícil, e sem embargo é essencial para unir-se a Deus tão perfeitamente como possa fazê-lo uma pobre criatura que, com a graça, chega com frequência até aqui, mas se detém neste grau, porque não o compreende e o pratica menos ainda. É o silêncio do nada. É mais heróico que o silêncio da morte.

12º Silêncio com Deus: No começo Deus dizia à alma: "Fala pouco às criaturas e muito comigo". Aqui lhe diz: "Não me fales mais". O silêncio com Deus é aderir-se a Deus, apresentar-se e expor-se diante de Deus, oferecer-se a Ele, aniquilar-se diante dEle, adorá-lo, amá-lo, escutá-lo, ouvi-lo, descansar nEle. É o silêncio da eternidade, é a união da alma com Deus.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Oslo, Maçonaria e a Mídia que, como Nero, acusa os cristãos.

Oslo: membro da Maçonaria "São João Olaus dos Três Pilares" é o autor do massacre. Pontifex.Roma denuncia publicamente a periculosidade da Maçonaria em 385 artigos. Apelos não ouvidos!
(Logo após o artigo estão todos os links)

Nem todos sabem que pertencer às lojas maçônicas é proibido pela Igreja, e o católico seria excomungado se não fosse pelo levantamento parcial da excomunhão desejada pelo Papa João Paulo II por razões "desconhecidas". No Código de Direito Canônico de 1983, promovido pelo Papa João Paulo II, este não menciona explicitamente a adesão à Maçonaria como motivo para excomunhão, ao contrário do Código de Direito Canônico de 1917. Apesar disto, no dia 26 de novembro de 1983, a Congregação para a Doutrina da Fé, contudo, foi clara: "Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão"[1]. No mesmo sentido, a Encíclica Humanum Gesus, do Papa Leão XIII, datada de 20 de abril de 1884; algumas das restrições ainda estão em vigor. Na Encíclica se podem encontrar os precedentes a que se refere:

"A primeira advertência do perigo foi dada por Clemente XII no ano de 1738[2], e sua constituição foi confirmada e renovada por Bento XIV[3]. Pio VII seguiu o mesmo caminho[4]; e Leão XII, por sua constituição apostólica, Quo Graviora[5], juntou os atos e decretos dos Pontífices anteriores sobre o assunto, e os ratificou e confirmou para sempre. No mesmo sentido pronunciou-se Pio VIII[6], Gregório XVI[7], e, muitas vezes, Pio IX[8]".


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Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo facto que no novo Código de Direito Canónico ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior.

Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério redacional seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.

Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.

Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas com um juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, p. 240-241).

O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação.

Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de Novembro de 1983.

Joseph Card. RATZINGER
Prefeito

+ Fr. Jérôme Hamer, O.P.
Secretário


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A 26 de Novembro de 1983 a Congregação para a Doutrina da Fé publicava uma Declaração sobre as associações maçónicas (cf. AAS LXXVI, 1984, 300), A pouco mais de um ano de distância da sua publicação pode ser útil explicar brevemente o significado deste documento.

 Desde que a Igreja começou a pronunciar-se a respeito da maçonaria o seu juízo negativo foi inspirado por multíplices razões, práticas e doutrinais. Ela não julgou a maçonaria responsável apenas de atividades subversivas a seu respeito, mas desde os primeiros documentos pontifícios sobre o assunto e em particular na Encíclica Humanum Genus de Leão XIII (20 de Abril de 1884), o Magistério da Igreja denunciou na Maçonaria ideias filosóficas e concepções morais opostas à doutrina católica. Para Leão XIII elas reportavam-se essencialmente a um naturalismo racionalista, inspirador dos seus planos e das suas atividades contra a Igreja. Na sua Carta ao Povo Italiano "Custodi" (8 de Dezembro de 1892) ele escrevia: "Recordemo-nos que o cristianismo e a maçonaria são essencialmente inconciliáveis, de modo que inscrever-se numa significa separar-se da outra".

Não se podia portanto deixar de tomar em consideração as posições da Maçonaria sob o ponto de vista doutrinal, quando nos anos 1970-1980 a Sagrada Congregação estava em correspondência com algumas Conferências Episcopais particularmente interessadas neste problema, em consequência do diálogo empreendido por parte de personalidades católicas com representantes de algumas lojas que se declaravam não hostis ou até favoráveis à Igreja.

Agora o estudo mais aprofundado levou a S.C.D.F.[11] a manter-se na convicção da inconciliabilidade de fundo entre os princípios da maçonaria e os da fé cristã.

Prescindindo portanto da consideração da atitude prática das diversas lojas, de hostilidade ou não para com a Igreja, a S.C.D.F., com a sua declaração de 26.11.83, pretendeu colocar-se no nível mais profundo e por outro lado essencial do problema: isto é, sobre o plano da inconciliabilidade dos princípios, o que significa no plano da fé e das suas exigências morais.

A partir deste ponto de vista doutrinal, em continuidade, de resto, com a posição tradicional da Igreja, como testemunham os documentos acima citados de Leão XIII, derivam depois as necessárias consequências práticas, que são válidas para todos aqueles fiéis que estivessem eventualmente inscritos na maçonaria.

A propósito da afirmação sobre a inconciliabilidade dos princípios todavia vai-se agora objetando de alguns lados que o essencial da maçonaria seria precisamente o facto de não impor algum "princípio", no sentido de uma posição filosófica ou religiosa que seja vinculante para todos os seus aderentes, mas antes reunir conjuntamente, para além dos confins das diversas religiões e visões do mundo, homens de boa vontade com base em valores humanísticos compreensíveis e aceitáveis por todos.

A maçonaria constituiria um elemento de coesão para todos aqueles que creem no Arquiteto do Universo e se sentem comprometidos em relação àquelas orientações morais fundamentais que estão definidas por exemplo no Decálogo; ela não afastaria ninguém da própria religião, mas pelo contrário constituiria um incentivo a aderir ainda mais a ela.

Nesta sede não podem ser discutidos os multíplices problemas históricos e filosóficos que se escondem em tais afirmações. Que também a Igreja católica estimule no sentido de uma colaboração de todos os homens de boa vontade, não é decerto necessário salientá-lo depois do Concílio Vaticano II. O associar-se na maçonaria vai todavia além, decididamente, desta legítima colaboração e tem um significado muito mais saliente e determinante do que este.

Antes de tudo deve recordar-se que a comunidade dos "pedreiros-livres" e as suas obrigações morais se apresentam como um sistema progressivo de símbolos de carácter extremamente absorvente. A rígida disciplina do arcano que nela predomina reforça ulteriormente o peso da interação de sinais e de ideias. Este clima de segredo comporta, além de tudo, para os inscritos o risco de se tornarem instrumento de estratégias que lhes são desconhecidas.

Embora se afirme que o relativismo não é assumido como dogma, todavia propõe-se de facto uma concepção simbólica relativística, e portanto o valor "relativizante" de uma tal comunidade moral-ritual longe de poder ser eliminado, resulta pelo contrário determinante.

Neste contexto, as diversas comunidades religiosas, a que pertence cada um dos membros das Lojas, não podem ser consideradas senão como simples institucionalizações de uma verdade mais ampla e incompreensível. O valor destas instituições parece, portanto, inevitavelmente relativo, em relação a esta verdade mais ampla, a qual se manifesta antes na comunidade da boa vontade, isto é na fraternidade maçónica.

Para um cristão católico, todavia, não é possível viver a sua relação com Deus numa dúplice modalidade, isto é, dividindo-a numa forma humanitária – super-confessional e numa forma interior – cristã. Não pode cultivar relações de duas espécies com Deus, nem exprimir a sua relação com o Criador através de formas simbólicas de duas espécies. Isto seria algo de completamente diverso daquela colaboração, que para ele é óbvia, com todos aqueles que estão empenhados na prática do bem, embora a partir de princípios diversos. Por outro lado, um cristão católico não pode participar ao mesmo tempo na plena comunhão da fraternidade cristã e, por outro lado, olhar para o seu irmão cristão, a partir da perspectiva maçónica, como para um "profano".

Mesmo quando, como já se disse, não houvesse uma obrigação explícita de professar o relativismo como doutrina, todavia a força "relativizante" de uma tal fraternidade, pela sua mesma lógica intrínseca tem em si a capacidade de transformar a estrutura do ato de fé de modo tão radical que não é aceitável por parte de um cristão, "ao qual é cara a sua fé" (Leão XIII).

Esta subversão na estrutura fundamental do ato de fé, realiza-se, além disso, geralmente, de modo suave e sem ser advertida: a sólida adesão à verdade de Deus, revelada na Igreja, torna-se simples pertença de uma instituição, considerada como uma forma expressiva particular ao lado de outras formas expressivas, mais ou menos igualmente possíveis e válidas, do orientar-se do homem para o eterno.

A tentação de ir nesta direção é hoje ainda mais forte, enquanto corresponde plenamente a certas convicções prevalecentes na mentalidade contemporânea. A opinião de que a verdade não pode ser conhecida é característica típica da nossa época e, ao mesmo tempo, elemento essencial da sua crise geral.

Precisamente considerando todos estes elementos a Declaração da S. Congregação afirma que a inscrição nas associações maçónicas "está proibida pela Igreja" e os fiéis que nelas se inscreverem "estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão".

Com esta última expressão, a S. Congregação indica aos fiéis que tal inscrição constitui objetivamente um pecado grave e, precisando que os aderentes a uma associação maçónica não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão, ela quer iluminar a consciência dos fiéis sobre uma grave consequência que lhes advém da sua adesão a uma loja maçónica.

A S. Congregação declara por fim que "não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas, com um juízo que implique derrogação de quanto acima estabelecido". A este propósito o texto faz também referência à Declaração de 17 de Fevereiro de 1981, a qual já reservava à Sé Apostólica todo o pronunciamento sobre a natureza destas associações que tivesse implicado derrogações da lei canónica então em vigor (cân. 2335).


Do mesmo modo o novo documento emitido pela S.C.D.F. em Novembro de 1983, exprime idênticas intenções de reserva relativamente a pronunciamentos que divergissem do juízo aqui formulado sobre a inconciliabilidade dos princípios da maçonaria com a fé católica, sobre a gravidade do ato de se inscrever numa loja e sobre a consequência que daí deriva para se aproximar da Sagrada Comunhão. Esta disposição indica que, apesar da diversidade que pode subsistir entre as obediências maçónicas, em particular na sua atitude declarada para com a Igreja, a Sé Apostólica nota-lhes alguns princípios comuns, que requerem uma mesma avaliação por parte de todas as autoridades eclesiásticas.

Ao fazer esta Declaração, a S.C.D.F. não entendeu desconhecer os esforços realizados por aqueles que, com a devida autorização deste Dicastério, procuraram estabelecer um diálogo com representantes da Maçonaria. Mas, desde o momento que havia a possibilidade de se difundir entre os fiéis a errada opinião de que a adesão a uma loja maçónica já era lícita, ela considerou ser seu dever dar-lhes a conhecer o pensamento autêntico da Igreja a este propósito e pô-los em guarda quanto a uma pertença incompatível com a fé católica.

Só Jesus Cristo é, de facto, o Mestre da Verdade e só n'Ele os cristãos podem encontrar a luz e a força para viver segundo o desígnio de Deus, trabalhando para o verdadeiro bem dos seus irmãos.


***



AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS E AOS OUTROS ORDINÁRIOS QUE TÊM COM A SÉ APOSTÓLICA PAZ E COMUNHÃO.
"CONDENAÇÃO DO RELATIVISMO FILOSÓFICO E MORAL DA MAÇONARIA"

1. O Gênero Humano, após sua miserável queda de Deus, o Criador e Doador dos dons celestes, "pela inveja do demônio," separou-se em duas partes diferentes e opostas, das quais uma resolutamente luta pela verdade e virtude, e a outra por aquelas coisas que são contrárias à virtude e à verdade. Uma é o reino de Deus na terra, especificamente, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo; e aqueles que desejam em seus corações estar unidos a ela, de modo a receber a salvação, devem necessariamente servir a Deus e Seu único Filho com toda a sua mente e com um desejo completo. A outra é o reino de Satanás, em cuja possessão e controle estão todos e quaisquer que sigam o exemplo fatal de seu líder e de nossos primeiros pais, aqueles que se recusam a obedecer à lei divina e eterna, e que têm muitos objetivos próprios em desprezo a Deus, e também muitos objetivos contra Deus.

2. Este reino dividido Sto. Agostinho penetrantemente discerniu e descreveu ao modo de duas cidades, contrárias em suas leis porque lutando por objetivos contrários; e com sutil brevidade ele expressou a causa eficiente de cada uma nessas palavras: "Dois amores formaram duas cidades: o amor de si mesmo, atingindo até o desprezo de Deus, uma cidade terrena; e o amor de Deus, atingindo até o desprezo de si mesmo, uma cidade celestial"[13]. Em cada período do tempo uma tem estado em conflito com a outra, com uma variedade e multiplicidade de armas e de batalhas, embora nem sempre com igual ardor e assalto. Nesta época, entretanto, os partisans (guerrilheiros) do mal parecem estar se reunindo, e estar combatendo com veemência unida, liderados ou auxiliados por aquela sociedade fortemente organizada e difundida chamada os Maçons. Não mais fazendo qualquer segredo de seus propósitos, eles estão agora abruptamente levantando-se contra o próprio Deus. Eles estão planejando a destruição da santa Igreja publicamente e abertamente, e isso com o propósito estabelecido de despojar completamente as nações da Cristandade, se isso fosse possível, das bênçãos obtidas para nós através de Jesus Cristo nosso Salvador. Lamentando estes males, Nós somos constrangidos pela caridade que urge Nosso coração a clamar frequentemente a Deus: "Ó Deus, eis que Teus inimigos se agitam; e os que Te odeiam levantaram as suas cabeças. Eles tramam um plano contra Teu povo, e conspiram contra Teus santos. Eles disseram: vinde, destruamo-nos, de modo que eles não sejam uma nação"[14].

3. Em uma crise tão urgente, quando tão feroz e tão forte assalto é feito sobre o nome Cristão, é Nosso ofício apontar o perigo, marcar quem são os adversários, e no máximo de Nosso poder fazer uma barreira contra seus planos e procedimentos, para que não pereçam aqueles cuja salvação está confiada a Nós, e para que o reino de Jesus Cristo confiado a Nosso encargo possa não só permanecer de pé e inteiro, mas possa ser alargado por um crescimento cada vez maior através do mundo.

4. Os Pontífices Romanos nossos predecessores, em sua incessante vigilância pela segurança do povo Cristão, foram rápidos em detectar a presença e o propósito desse inimigo capital tão logo ele saltou para a luz ao invés de esconder-se como uma tenebrosa conspiração; e, além disso, eles aproveitaram e tomaram providências, pois a eles isso competia, e não permitiram a si mesmos serem tomados pelos estratagemas e armadilhas armadas para enganá-los.

5. A primeira advertência do perigo foi dada por Clemente XII no ano de 1738[15], e sua constituição foi confirmada e renovada por Bento XIV[16]. Pio VII seguiu o mesmo caminho[17]; e Leão XII, por sua constituição apostólica, Quo Graviora[18], juntou os atos e decretos dos Pontífices anteriores sobre o assunto, e os ratificou e confirmou para sempre. No mesmo sentido pronunciou-se Pio VIII[19], Gregório XVI[20], e, muitas vezes, Pio IX[21]".

6. Tão logo a constituição e o espírito da seita maçônica foram claramente descobertos por manifestos sinais de suas ações, pela investigação de suas causas, pela publicação de suas leis, e de seus ritos e comentários, com a frequente adição do testemunho pessoal daqueles que estiveram no segredo, esta sé apostólica denunciou a seita dos Maçons, e publicamente declarou sua constituição, como contrária à lei e ao direito, perniciosa tanto à Cristandade como ao Estado; e proibiu qualquer um de entrar na sociedade, sob as penas que a Igreja costuma infligir sobre as pessoas excepcionalmente culpadas. Os sectários, indignados por isto, pensando em eludir ou diminuir a força destes decretos, parcialmente por desprezo, e parcialmente por calúnia, acusaram os soberanos Pontífices que os passaram ou de exceder os limites da moderação em seus decretos ou de decretar o que não era justo. Este foi o modo pelo qual eles esforçaram-se para eludir a autoridade e o peso das constituições apostólicas de Clemente XII e de Bento XIV, e também de Pio VII e Pio IX[22]. Entretanto, na própria sociedade, encontraram-se homens que relutantemente concordaram que os Pontífices Romanos tinham agido dentro de seu direito, de acordo com a doutrina e disciplina Católicas. Os Pontífices receberam a mesma concordância, em termos fortes, de muitos príncipes e chefes de governo, que tomaram como um dever ou delatar a sociedade maçônica à sé apostólica, ou por seu próprio acordo por leis específicas declará-la perniciosa, como, por exemplo, na Holanda, Áustria, Suíça, Espanha, Bavária, Savóia, e outras partes da Itália.

7. Mas, o que é da maior importância, o curso dos eventos demonstrou a prudência dos Nossos predecessores. Pois a sua providente e paternal solicitude não conseguiu sempre e em todo lugar o resultado desejado; e isto, ou por causa do fingimento e astúcia de alguns que eram agentes ativos na maldade, ou então da irrefletida leviandade do resto que deveria, em seu próprio interesse, ter dado ao assunto sua diligente atenção. Em consequência, a seita dos Maçons cresceu com uma velocidade inconcebível no curso de um século e meio, até que se tornou capaz, através de fraude ou audácia, de obter tal acesso em cada nível do Estado de modo a parecer quase a sua força governante. Este veloz e formidável avanço trouxe sobre a Igreja, sobre o poder dos príncipes, sobre o bem estar público, precisamente aquele grave dano que Nossos predecessores tinham previsto muito antes. Tal condição foi atingida que de agora de diante haverá grave razão para temer, não realmente pela Igreja - porque sua fundação é firme demais para ser derrubada pelos esforços dos homens - mas por aqueles Estados em que prevalece o poder, ou da seita da qual estamos falando ou de outras seitas não diferentes que se curvam a ela como discípulas e subordinadas.

8. Por estas razões Nós, tão logo chegamos ao timão da Igreja, claramente vimos e sentimos ser Nosso dever usar Nossa autoridade em sua máxima extensão contra um mal tão vasto. Nós já por muitas vezes, conforme as ocasiões surgiram, atacamos alguns pontos principais dos ensinamentos que demonstraram de uma maneira especial a perversa influência das opiniões Maçônicas. Assim, em nossa carta encíclica, Quod Apostolici Muneris, Nós Nos esforçamos por refutar as monstruosas doutrinas dos socialistas e comunistas; depois, em outra começando com "Arcanum", Nós penosamente defendemos e explicamos a verdadeira e genuína ideia da vida doméstica, da qual o matrimônio é o ponto de partida e a origem; e novamente, naquela que começa com "Diuturnum"[23], Nós descrevemos a ideia de governo político conforme os princípios da sabedoria Cristã, que é maravilhosa em harmonia, por um lado, com a ordem natural das coisas, e, por outro lado, com o bem-estar tanto dos príncipes soberanos quanto das nações. É agora Nossa intenção, seguindo o exemplo de Nossos predecessores, tratar diretamente a própria sociedade maçônica, todo o seu ensinamento, seus objetivos, e a sua maneira de pensar e agir, de modo a trazer mais e mais à luz seu poder para o mal, e fazer o que Nós pudermos para deter o contágio desta peste fatal.

9. Há vários corpos organizados os quais, embora diferindo em nome, em cerimonial, em forma e origem, são contudo tão unidos por comunhão de propósito e pela similaridade de suas principais opiniões, de modo a formar de fato uma só coisa com a seita dos Maçons, a qual é um tipo de centro ao qual todos eles se dirigem, e do qual todos eles retornam. Agora, estes não mais mostram um desejo de permanecer escondidos; pois eles realizam seus encontros à luz do dia e à vista do povo, e publicam seus próprios jornais; e contudo, quando completamente compreendidos, descobre-se que eles ainda retêm a natureza e os hábitos de sociedades secretas. Há muitas coisas como mistérios que é regra fixa esconder com extremo cuidado, não somente de estranhos, mas de muitos e muitos membros, também; tais como seus desígnios secretos e últimos, os nomes de seus maiores líderes, e certos segredos e encontros privados, assim como suas decisões, e os caminhos e meios de executá-las. Este é, sem dúvida, o objetivo das múltiplas diferenças entre os membros quanto a direito, cargo e privilégio, das distinções recebidas de ordens e graus, e da severa disciplina que é mantida.

Os candidatos são geralmente ordenados a prometer - e mais, com um especial juramento, a jurar - que eles não irão nunca, a nenhuma pessoa, em qualquer tempo ou de qualquer modo, dar a conhecer os membros, as senhas, ou os assuntos discutidos. Assim, com uma aparência externa fraudulenta, e com um estilo de fingimento que é sempre o mesmo, os Maçons, como os Maniqueístas de antigamente, esforçam-se, tanto quanto possível, para encobrir a si mesmos, e para não admitir testemunhas exceto seus próprios membros. Como uma maneira conveniente de disfarce, eles assumem o caráter de homens de letras e acadêmicos associados com o objetivo de aprender. Eles falam de seu zelo por um maior refinamento cultural, e de seu amor pelos pobres; e eles declaram que seu único desejo é a melhoria da condição das massas, e o compartilhamento com o maior número possível de pessoas de todos os benefícios da vida civil. Mesmo que estes propósitos fossem visados verdadeiramente, eles não são de modo algum o todo de seu objetivo. Ainda mais, para ser alistado, é necessário que os candidatos prometam e assumam ser daí em diante estritamente obedientes aos seus líderes e mestres com a mais completa submissão e fidelidade, e estar de prontidão para cumprir suas ordens à mais leve expressão de seu desejo; ou, se desobedientes, submeter-se aos mais penosos castigos e à própria morte. De fato, se algum é julgado ter traído as obras da seita ou ter resistido à ordens dadas, a punição é infligida neles não infrequentemente, e com tanta audácia e destreza que o assassino muito frequentemente escapa à detecção e punição de seu crime.

10. Mas fingir e desejar permanecer escondido; atar homens como escravos com as mais fortes correntes, e sem dar qualquer razão suficiente; usar homens escravizados aos desejos de outro para qualquer ato arbitrário; armar as mãos direitas de homens para o massacre após assegurar a impunidade pelo crime - tudo isso é uma enormidade diante qual a natureza recua. Por este motivo, a razão e a própria verdade tornam claro que a sociedade da qual nós estamos falando está em antagonismo com a justiça e a retidão natural. E isto se torna ainda mais claro, uma vez que outros argumentos, também, e muito evidentes, provam que ela é essencialmente oposta à virtude natural. Pois, não importando quão grande possa ser a inteligência do homem em disfarçar e a sua experiência em mentir, é impossível evitar os efeitos de qualquer causa de mostrarem, de algum modo, a natureza intrínseca da causa da qual eles vêm. "Uma boa árvore não pode produzir mau fruto, nem uma árvore ruim produzir bom fruto"[24]. Agora, a seita maçônica produz frutos que são perniciosos e do mais amargo sabor. Pois, daquilo que Nós acima mostramos da maneira mais clara, aquele que é o seu propósito último força-a a se tornar visível - especificamente, a completa derrubada de toda a ordem religiosa e política do mundo que o ensinamento Cristão produziu, e a substituição por um novo estado de coisas de acordo com as suas ideias, das quais as fundações e leis devem ser obtidas do mero naturalismo.

11. O que Nós dissemos, e estamos para dizer, deve ser entendido com respeito à seita dos Maçons tomada genericamente, e tanto quanto ela compreende as associações aparentadas a ela e confederadas com ela, mas não dos seus membros individuais. Pode haver pessoas entre eles, e não poucos que, embora não livres da culpa de terem se enleado em tais associações, ainda assim não são eles mesmos parceiros em seus atos criminosos nem conscientes do objetivo último que eles estão se esforçando por alcançar. Do mesmo modo, algumas das sociedades afiliadas, talvez, de modo algum aprovem as conclusões extremas que eles iriam, se consistentes, abraçar como consequências necessárias de seus princípios comuns, se a sua própria maldade não os enchesse de horror. Alguns deles, novamente, são levados pelas circunstâncias dos tempos e lugares ou a visar coisas menores do que os outros normalmente tentam ou do que eles mesmos desejariam tentar. Eles não devem, entretanto, por esta razão, ser considerados como estranhos à federação maçônica; porque a federação maçônica deve ser julgada não tanto pelas coisas que ela tem feito, ou concluído, quanto pela soma de suas opiniões pronunciadas.

12. Agora, a doutrina fundamental dos naturalistas, que eles tornam suficientemente conhecida em seu próprio nome, é que a natureza humana e a razão humana deveria em todas as coisas ser senhora e guia. Eles ligam muito pouco para os deveres para com Deus, ou os pervertem por opiniões errôneas e vagas. Pois eles negam que qualquer coisa tenha sido ensinada por Deus; eles não permitem qualquer dogma de religião ou verdade que não possa ser entendida pela inteligência humana, nem qualquer mestre que deva ser acreditado por causa de sua autoridade. E desde que é o dever especial e exclusivo da Igreja Católica estabelecer completamente em palavras as verdades divinamente recebidas, ensinar, além de outros auxílios divinos à salvação, a autoridade de seu ofício, e defender a mesma com perfeita pureza, é contra a Igreja que o ódio e o ataque dos inimigos é principalmente dirigido.

13. Nos assuntos a respeito de religião que se veja como a seita dos Maçons age, especialmente aonde ela é mais livre para agir sem barreiras, e então que qualquer um julgue se realmente ela não deseja executar a política dos naturalistas. Por um longo e perseverante labor, eles esforçam-se para alcançar este resultado - especificamente, que o ofício de ensinar e a autoridade da Igreja tornem-se sem valor no Estado civil; e por esta mesma razão eles declaram ao povo e argumentam que a Igreja e o Estado devem ser completamente desunidos. Por este meio eles rejeitam das leis e da nação a saudável influência da religião Católica; e eles consequentemente imaginam que os Estados devem ser constituídos sem qualquer consideração pelas leis e preceitos da Igreja.

14. Nem eles pensam ser suficiente desconsiderar a Igreja - a melhor das guias - mas eles também a ferem por sua hostilidade. Realmente, para eles está dentro da lei atacar com impunidade as próprias fundações da religião Católica, em palavra, em escritos e em ensinamentos; e até os direitos da Igreja não são poupados, e os ofícios com os quais ela é divinamente investida não estão seguros. A mínima liberdade possível para administrar os assuntos é deixada à Igreja; e isto é feito por leis aparentemente não muito hostis, mas na realidade armadas e ajustadas para dificultar a liberdade de ação. Ainda mais, Nós vemos leis excepcionais e opressivas impostas sobre o clero, a fim de que eles possam ser continuamente diminuídos em número e meios necessários. Nós também vemos os remanescentes das possessões da Igreja restringidos pelas mais estritas condições, a sujeitados ao poder e ao desejo arbitrário dos administradores do Estado, e as ordens religiosas reviradas e espalhadas.

15. Mas contra a sé apostólica e o Pontífice Romano a contenda destes inimigos tem sido por um longo tempo dirigida. O Pontífice foi primeiro, por razões sem substância, atirado para fora da proteção de sua liberdade e de seu direito, o principado civil; logo, ele foi injustamente forçado em uma condição que era insuportável por causa das dificuldades levantadas de todos os lados; e agora o tempo chegou em que os partisans (guerrilheiros) da seita abertamente declaram, o que em segredo entre eles mesmos eles têm por um longo tempo planejado, que o poder sagrado dos Pontífices deve ser abolido, e que o próprio papado, fundado por direito divino, deve ser totalmente destruído. Se outras provas fossem desejadas, este fato seria suficientemente revelado pelo testemunho de homens informados, dos quais alguns em outros tempos, e outros recentemente, declararam ser verdadeiro a respeito dos Maçons que eles desejam especialmente atacar violentamente a igreja com irreconciliável hostilidade, e que eles nunca descansarão até que eles tenham destruído o que quer que os supremos Pontífices tenham estabelecido como religião.

16. Se aqueles que são admitidos como membros não são ordenados a abjurar por quaisquer palavras as doutrinas Católicas, esta omissão, muito longe de ser adversa aos desígnios dos Maçons é mais útil para os seus propósitos. Primeiro, deste modo eles facilmente enganam os ingênuos e os incautos, e podem induzir um número muito maior a se tornarem membros. Novamente, como todos que se oferecem são recebidos qualquer que possa ser sua forma de religião, eles deste modo ensinam o grande erro desta época - que uma consideração por religião deveria ser tida como assunto indiferente, e que todas as religiões são semelhantes. Este modo de raciocinar é calculado para trazer a ruína de todas as formas de religião, e especialmente da religião Católica, que, como é a única que é verdadeira, não pode, sem grande injustiça, ser considerada como meramente igual às outras religiões.

17. Mas os naturalistas vão muito mais longe; pois, tendo, nas mais altas coisas, entrado em um curso completamente errôneo, eles são levados impetuosamente a extremos, ou por causa da fraqueza da natureza humana, ou porque Deus inflige sobre eles a justa punição do seu orgulho. Assim acontece que eles não mais consideram como certas e permanentes aquelas coisas que são totalmente entendidas pela luz natural da razão, tais como certamente são - a existência de Deus, a natureza imaterial da alma humana, e sua imortalidade. A seita dos Maçons, por uma similar trilha de erro, é exposta a estes mesmos perigos; pois, embora de um modo geral eles possam professar a existência de Deus, eles mesmos são testemunhas que eles não mantém todos esta verdade com total concordância da mente e com uma firme convicção. Nem eles escondem que esta questão sobre Deus é a maior fonte e causa de discórdias entre eles; de fato, é certo que uma discussão considerável sobre este mesmo assunto existiu entre eles muito recentemente. Mas, realmente, a seita permite grande liberdade aos seus membros juramentados por voto, de modo que para cada lado é dado o direito de defender a sua própria opinião, ou de que há um Deus, ou de que não há nenhum; e aqueles que obstinadamente argumentam que não há nenhum Deus são tão facilmente iniciados como aqueles que argumentam que Deus existe, embora, como os panteístas, eles tenham falsas noções acerca dEle: tudo que não é nada mais do que retirar a realidade, retendo algumas absurdas representações da natureza divina.

18. Quando esta maior e fundamental verdade foi derrubada ou enfraquecida, segue que aquelas verdades, também, que são conhecidas pelo ensinamento da natureza devem começar a cair - especificamente, que todas as coisas foram feitas pelo livre desejo de Deus o Criador; que o mundo é governado pela Providência; que as almas não morrem; que a esta vida dos homens sobre a terra sucederá outra em uma vida eterna.

19. Quando estas verdades foram eliminadas, as quais são os princípios da natureza e importantes para o conhecimento e para o uso prático, é fácil de ver o que irá ser da moralidade pública e privada. Nós não dizemos nada daquelas virtudes mais celestiais, as quais ninguém pode exercer ou mesmo adquirir sem um especial dom e graça de Deus; das quais necessariamente nenhum traço pode ser encontrado naqueles que rejeitam como desconhecida a redenção da humanidade, a graça de Deus, os sacramentos, e a felicidade a ser obtida no céu. Nós falamos agora dos deveres que têm a sua origem na retidão natural. Que Deus é o Criador do mundo e seu providente Governador; que a lei eterna exige que a ordem natural seja mantida, e proíbe que ela seja perturbada; que o fim último do homem é um destino muito acima das coisas humanas e além desta parada sobre a terra: estas são as fontes e estes são os princípios de toda justiça e moralidade.

Se eles forem removidos, como os naturalistas e Maçons desejam, imediatamente não haverá nenhum conhecimento quanto ao que constitui justiça e injustiça, ou sobre qual princípio a moralidade é fundada. E, em verdade, o ensinamento de moralidade que exclusivamente encontra o favor da seita dos Maçons, e em que eles argumentam que os jovens deveriam ser instruídos, é o que eles chamam "civil", e "independente", e "livre", especificamente, aquele que não contém qualquer crença religiosa. Mas, quão insuficiente tal ensinamento é, quanto deixa a desejar em firmeza, e quão facilmente movido por cada impulso da paixão, é suficientemente provado por seus tristes frutos, que já começaram a aparecer. Pois, aonde quer que, removendo a educação Cristã, este ensinamento começou a reinar mais completamente, aí a bondade e integridade da moral começou rapidamente a perecer, monstruosas e vergonhosas opiniões têm crescido, e a audácia dos atos malignos tem se elevado a um alto grau. Tudo isso é comumente lamentado e deplorado; e não poucos daqueles que de modo algum desejam fazê-lo são compelidos pela abundância de provas a dar não infrequentemente o mesmo testemunho.

20. Ainda mais, a natureza humana foi manchada pelo pecado original, e é portanto mais disposta ao vício do que à virtude. Pois uma vida virtuosa é absolutamente necessária para restringir os movimentos desordenados da alma, e para fazer as paixões obedientes à razão. Neste conflito as coisas humanas devem frequentemente ser desprezadas, e os maiores trabalhos e durezas devem ser executados, de modo que a razão possa sempre manter o seu domínio. Mas os naturalistas e Maçons, não tendo fé naquelas coisas que nós aprendemos pela revelação de Deus, negam que nossos primeiros pais tenham pecado, e consequentemente pensam que o livre desejo não é de modo algum enfraquecido e inclinado ao mal[25]. Pelo contrário, exagerando bastante o poder e a excelência da natureza, e colocando somente ali o princípio e regra da justiça, eles não podem nem mesmo imaginar que haja qualquer necessidade de uma constante luta e uma perfeita firmeza para dominar a violência e governo de nossas paixões.

Por isso nós vemos que homens são publicamente tentados pelos muitos encantamentos do prazer; que há jornais e panfletos sem moderação nem vergonha; que peças de teatro são notáveis pela licenciosidade; que desenhos para obras de arte são de uma maneira desavergonhada buscados nas leis de um assim chamado realismo; que os planos de uma vida fácil e delicada são cuidadosamente elaborados; que todas as seduções do prazer são diligentemente buscadas pelas quais a virtude possa ser ninada até adormecer. Depravadamente, também, mas ao mesmo tempo de um modo bastante consistente, fazem aqueles atos que eliminam a expectativa das alegrias do céu, e trazem para baixo toda a felicidade para o nível da mortalidade, e, de fato, a afundam na terra. Do que Nós dissemos o seguinte fato, estarrecedor não tanto por si mesmo quanto em sua aberta expressão, pode servir como confirmação. Pois, uma vez que geralmente ninguém está acostumado a obedecer homens hábeis e inteligentes tão submissamente como aqueles cuja alma está enfraquecida e quebrada pelo domínio das paixões, tem havido na seita dos Maçons alguns que têm simplesmente determinado e proposto que, engenhosamente e de propósito estabelecido, a multidão deveria ser saciada com uma licença sem limite para o vício, pois, quando isso tivesse sido feito, ela iria facilmente cair sob o seu poder e autoridade para quaisquer atos de audácia.

21. Quanto ao que se refere à vida doméstica nos ensinamentos dos naturalistas é quase tudo contido nas seguintes declarações: que o casamento pertence ao gênero dos contratos humanos, que pode ser legalmente revogado pelo desejo daqueles que o fizeram, que os governadores civis do Estado têm poder sobre o laço matrimonial; que na educação dos jovens nada deve ser ensinado em matéria de religião como opinião certa e fixada; e cada um deve ser deixado livre para seguir, quando chegar à idade, qualquer que ele preferir. Os Maçons concordam completamente com estas coisas; e não somente concordam, mas têm longamente se esforçado para transformá-las em lei e instituição. Pois em muitos países, e aqueles nominalmente Católicos, é estabelecido que nenhum casamento deve ser considerado legal a não ser aqueles contraídos pelo rito civil; em outros lugares a lei permite o divórcio; e em outros todos os esforços são feitos para torná-lo legal tão logo quanto possível. Portanto, o tempo está rapidamente se aproximando em que os casamentos vão ser tornados em outro tipo de contrato - ou seja em uniões mutáveis e incertas que um capricho pode unir, e que do mesmo modo quando se modificar pode desunir.

Com a maior unanimidade a seita dos Maçons também se esforça para tomar a si mesma a educação da juventude. Eles pensam que eles podem facilmente moldar às suas opiniões aquela idade macia e maleável, e torcê-la no que quer que eles desejem; e que nada pode ser mais adequado do que isto para permitir a eles levar a juventude do Estado a seguir seu próprio plano. Portanto, na educação e instrução de crianças eles não permitem qualquer participação, quer no ensinamento ou na disciplina, aos ministros da Igreja; e em muitos lugares eles têm procurado obter que a educação dos jovens esteja exclusivamente nas mãos de leigos, e que nada que trate dos mais importantes e mais sagrados deveres dos homens para com Deus deva ser introduzido na instrução sobre moral.

22. E ainda há as suas doutrinas sobre política, em que os naturalistas decretam que todos os homens tem o mesmo direito, e são em todos os aspectos da mesma e igual condição; que cada um é naturalmente livre; que nenhum tem o direito de comandar a outrem; que é um ato de violência requerer que homens obedeçam qualquer autoridade outra que aquela que é obtida deles mesmos. De acordo com isto, portanto, todas as coisas pertencem ao povo livre; o poder é exercido pela ordem ou permissão do povo, de modo que, quando o desejo do povo muda, os governantes podem ser legalmente depostos e a fonte de todos os direitos e deveres civis está ou na multidão ou na autoridade governante quando esta é constituída de acordo com as últimas doutrinas. É sustentado também que o Estado deve ser sem Deus; que nas várias formas de religião não há razão pela qual uma devesse ter precedência sobre outra; e que todas elas devem ocupar o mesmo lugar.

23. Que estas doutrinas são igualmente aceitáveis aos Maçons, e que eles desejariam constituir Estados de acordo com este exemplo e modelo, é excessivamente bem conhecido para requerer prova. Por algum tempo eles tem abertamente se esforçado para tornar isto realidade com toda a sua força e recursos; e deste modo eles preparam o caminho para não poucos homens audaciosos que estão se apressando a fazer até as piores coisas, em seu esforço para obter igualdade e comunhão de todos os bens pela destruição de todas as distinções de título e propriedade.

24. O que, portanto, a seita dos Maçons é, e que trilha ela persegue, aparece suficientemente do sumário que Nós resumidamente demos. Seus dogmas principais estão tão grandemente e manifestamente apartados da razão que nada pode ser mais perverso. Desejar destruir a religião e a Igreja que o próprio Deus estabeleceu, e cuja perpetuidade Ele assegura por Sua proteção, e trazer após um lapso de dezoito séculos as maneiras e costumes dos pagãos, é notável insensatez e audaciosa impiedade. Nem é menos horrível nem mais tolerável que eles repudiem os benefícios que Jesus Cristo tão misericordiosamente obteve, não somente para os indivíduos, mas também para as famílias e a sociedade civil, benefícios os quais, mesmo de acordo com o julgamento e testemunho de inimigos da Cristandade, são muito grandes. Nesta empreitada insana e pervertida nós quase podemos ver o ódio implacável e o espírito de vingança com o qual o próprio Satanás está inflamado contra Jesus Cristo. - Do mesmo modo o estudado esforço dos Maçons para destruir as principais fundações da justiça e honestidade, e para cooperar com aqueles que desejarem, como se fossem meros animais, fazer o que eles quiserem, tende somente para a ignominiosa e desgraçada ruína do gênero humano.

O mal, também, é agravado pelos perigos que ameaçam a sociedade doméstica e civil. Como Nós demonstramos, no matrimônio, de acordo com a crença de quase todas as nações, há algo sagrado e religioso; e a lei de Deus determinou que os matrimônios não devam ser dissolvidos. Se eles forem desprovidos do seu caráter sagrado, e feitos dissolúveis, problemas e confusão na família serão o resultado, a esposa sendo despojada de sua dignidade e as crianças deixadas sem proteção quanto aos seus interesses e bem-estar. - Não ter nos assuntos públicos qualquer cuidado pela religião, e nos arranjos e administração dos assuntos civis não ter maior consideração para com Deus do que se Ele não existisse, é uma imprudência desconhecida dos próprios pagãos; pois em seus corações e almas a noção de uma divindade e a necessidade de uma religião pública estavam tão firmemente estabelecidas que eles teriam pensado ser mais fácil ter uma cidade sem fundamentos do que uma cidade sem Deus. A sociedade humana, para a qual nós verdadeiramente por natureza somos formados, foi constituída por Deus, o Autor da natureza; e dEle, como de seu princípio e fonte, fluem em toda a sua força e permanência os incontáveis benefícios com os quais a sociedade abunda. Como todos e cada um de nós somos admoestados pela própria voz da natureza para cultuar a Deus em piedade e santidade, como o Doador da vida e de tudo que é bom nela, do mesmo modo e pela mesma razão, nações e Estados estão obrigado a cultuá-lO; e portanto é claro que aqueles que querem absolver a sociedade de todos os deveres religiosos agem não só injustamente mas também com ignorância e insensatez.

25. Como os homens são pela vontade de Deus nascidos para a união civil e sociedade, e como o poder de governar é um elo de união tão necessário à sociedade que, se ele é retirado, a sociedade necessariamente e imediatamente se desfaz, segue que dEle que é o Autor da sociedade veio também a autoridade de governar; assim quem quer que governe, é ministro de Deus. Portanto, como o fim e a natureza da sociedade humana requerem, é correto obedecer às justas ordens da autoridade legal, como é correto obedecer a Deus que governa todas as coisas; e é extremamente falso que o povo tenha como um poder jogar de lado sua obediência quando quer que lhe agrade.

26. De maneira semelhante, ninguém duvida que todos os homens são iguais uns aos outros, tanto quanto se refere à sua origem e natureza comuns, ou o fim último que cada um deve atingir, ou os direitos e deveres que são daí derivados. Mas, como as habilidades de todos não são iguais, como um difere do outro nos poderes da mente e do corpo, e como há realmente muitas dessemelhanças de maneiras, disposição, e caráter, é extremamente repugnante à razão esforçar-se por confinar todos dentro da mesma medida, e estender completa igualdade às instituições da vida civil. Assim como uma perfeita condição do corpo resulta da conjunção e composição de seus vários membros, os quais, embora diferindo em forma e propósito, fazem, por sua união e distribuição de cada um em seu próprio lugar, uma combinação bela para ser mantida, firme em força, e necessária para o uso; desse modo, na comunidade, há uma quase infinita dessemelhança de homens, como partes do todo. Se eles devem ser todos iguais, e cada um deve seguir seu próprio desejo, o Estado vai aparecer extremamente deformado; mas se, com uma distinção de graus de dignidade, de ocupações e empregos, todos habilmente cooperarem para o bem comum, eles irão apresentar a imagem de um Estado bem constituído e conformado à natureza.

27. Agora, dos perturbantes erros que Nós temos descrito os maiores perigos para os Estados devem ser temidos. Pois, sendo retirados o temor a Deus e a reverência pelas leis divinas, sendo desprezada a autoridade dos governantes, a sedição permitida e aprovada, e as paixões populares exacerbadas até o desprezo pela lei, sem qualquer freio a não ser o castigo, uma mudança e derrubada de todas as coisas necessariamente seguirá. Sim, esta mudança e derrubada é deliberadamente planejada e colocada em curso por várias associações de comunistas e socialistas; e aos seus propósitos a seita dos Maçons não é hostil, mas favorece grandemente seus desígnios, e tem em comum com eles suas principais opiniões. E se estes homens não se esforçam imediatamente e em todo lugar para levar à frente seus pontos de vista extremos, isso não deve ser atribuído ao seu ensinamento e sua vontade, mas à virtude daquela divina religião que não pode ser destruída; e também porque a parte mais sólida dos homens, recusando-se a ser escravizada às sociedades secretas, vigorosamente resiste às suas insanas tentativas.

28. Se todos os homens julgassem a árvore pelo seu fruto, e reconhecessem a semente e origem dos males que nos pressionam, e dos perigos que estão nos ameaçando! Nós temos que lidar com um inimigo enganoso e habilidoso, que, gratificando os ouvidos do povo e dos príncipes, os tem enleado por falas macias e por adulação. Entrando nas boas graças dos governantes sob a alegação de amizade, os Maçons tem se esforçado para fazê-los seus aliados e poderosos auxiliadores para a destruição do nome Cristão; e para que eles possam mais fortemente pressioná-los, eles têm, com determinada calúnia, acusado a Igreja de maliciosamente contender com os governantes em assuntos que afetam a sua autoridade e soberano poder. Tendo, por estes artifícios, assegurado a sua própria segurança e audácia, eles começaram a exercer grande peso no governo dos Estados: mas entretanto estão preparados para sacudir as fundações de impérios, para perturbar os governantes do Estado, para acusá-los, e para expulsá-los, tão frequentemente quanto eles aparentam governar de modo diferente do que eles próprios poderiam ter desejado. De modo semelhante, eles têm por falsos elogios iludido o povo. Proclamando com uma alta voz a liberdade e prosperidade pública, e dizendo que era por causa da Igreja e dos soberanos que a multidão não era retirada de sua injusta servidão e pobreza, eles se impuseram sobre o povo, e, excitando-os por uma sede por novidades, eles os pressionaram a assaltar tanto a Igreja quanto o poder civil. Entretanto, a expectativa de benefícios que era esperada é muito maior do que a realidade; realmente, as pessoas comuns, mais oprimidas do que elas eram antes, estão privadas em sua miséria daquele consolo que, se as coisas tivessem sido arranjadas de um modo Cristão, eles teriam tido com facilidade e em abundância. Mas, quem quer que lute contra a ordem que a Divina Providência constituiu paga usualmente a penalidade por seu orgulho, e encontra-se com a aflição e a miséria quando eles insensatamente esperavam encontrar todas as coisas prósperas e conforme os seus próprios desejos.

29. A Igreja, se ela dirige os homens a prestar obediência principalmente a acima de tudo a Deus o soberano Senhor, é erradamente e falsamente considerada ou invejosa do poder civil ou de se arrogar algo dos direitos dos soberanos. Pelo contrário, ela ensina que o que é retamente devido ao poder civil deve ser prestado a ele com convicção e consciência de dever. Ensinando que do próprio Deus vem o direito de governar, ela adiciona uma grande dignidade à autoridade civil, e ainda ajuda a obter a obediência e boa intenção dos cidadãos. Amiga da paz e sustentáculo da concórdia, ela abraça a todos com amor maternal, e, intencionando apenas auxiliar o homem mortal, ela ensina que à justiça deve ser ajuntada a clemência, equidade à autoridade, e moderação à legislação; que o direito de ninguém pode ser violado; que a ordem e a tranquilidade pública devem ser mantidas e que a pobreza daqueles que estão em necessidade deve, tanto quanto possível, ser aliviada pela caridade pública e privada. "Mas por esta razão," para usar as palavras de Sto. Agostinho, "os homens pensam, ou gostariam de acreditar, que o ensinamento Cristão não é adequado para o bem do Estado; pois eles desejam que o Estado seja fundado não em sólida virtude, mas na impunidade do vício"[26]. Sabendo destas coisas, os príncipes e o povo agiriam com sabedoria política[27], e de acordo com as necessidades da segurança geral, se, ao invés de juntar-se aos Maçons para destruir a Igreja, eles se juntassem à Igreja para repelir os seus ataques.

30. O que quer que o futuro possa ser, neste grave e difundido mal é Nosso dever, veneráveis irmãos, esforçar-nos por encontrar um remédio. E porque Nós sabemos que a Nossa melhor e mais firme esperança de um remédio está no poder daquela divina religião que os Maçons odeiam em proporção ao seu medo dela, Nós pensamos ser de capital importância chamar esse grande poder salvífico em Nosso auxílio contra o inimigo comum. Portanto, tudo que os Pontífices Romanos Nossos predecessores decretaram com o propósito de opor-se aos projetos e esforços da seita maçônica, e tudo que eles tenham legislado quanto à entrada ou saída de homens de sociedades deste tipo, Nós ratificamos e confirmamos completamente pela nossa autoridade apostólica: e confiando grandemente na boa intenção dos Cristãos, Nós rogamos e imploramos a cada um, pela sua salvação eterna, para ser o mais conscienciosamente cuidadoso para não divergir o mínimo que seja daquilo que a sé apostólica tem ordenado neste assunto.

31. Nós rogamos e imploramos a vós, veneráveis irmãos, a juntar os vossos esforços com os Nossos, e esforçadamente lutar pela extirpação desta praga maligna, que está se esgueirando através das veias do corpo da política. Vós deveis defender a glória de Deus e a salvação do vosso próximo; e com o objetivo de vosso combate à vossa frente, nem coragem nem força irão faltar. Será por vossa prudência que julgareis por quais modos vós podeis melhor sobrepujar as dificuldades e obstáculos com os quais vos encontrardes. Mas, como pertence à autoridade de Nosso ofício que Nós mesmos apontemos algumas maneiras apropriadas de procedimento, Nós desejamos que o vosso primeiro ato seja arrancar a máscara da Maçonaria, e deixar que ela seja vista como realmente é; e por sermões e cartas pastorais instruir o povo quanto aos artifícios usado pelas sociedades deste tipo para seduzir os homens e persuadi-los a entrar em suas fileiras, e quanto à perversidade de suas ações e à maldade de seus atos. Como Nossos predecessores por muitas vezes repetiram, que nenhum homem pense que ele possa por qualquer razão que seja ajuntar-se à seita maçônica, se ele dá valor ao seu nome Católico e à sua salvação eterna como ele deveria valorizá-los. Que nenhum seja enganado por uma pretensão de honestidade. Pode parecer a alguns que os Maçons não exigem nada que seja abertamente contrário à religião e à moral; mas, como todo princípio e objetivo da seita está naquilo que é vicioso e criminoso, ajuntar-se com estes homens ou em algum modo ajudá-los não pode ser legítimo.

32. Além disso, por assíduos ensinamentos e exortações, a multidão precisa ser levada a aprender diligentemente os preceitos da religião; para este propósito Nós encarecidamente recomendamos que por oportunos escritos e sermões lhes sejam ensinados os elementos daquelas sagradas verdades nas quais a filosofia Cristã está contida. O resultado disto será que as mentes dos homens serão fortalecidas pela instrução, e serão protegidas contra muitas formas de erro e induções à depravação, especialmente na presente liberdade de escrita sem limites e insaciável desejo de aprender.

33. Grande, realmente, é a obra; mas nela o clero irá compartilhar os vossos trabalhos, se, através de vosso cuidado, eles estiverem à altura disto através do aprendizado e de uma vida bem orientada. Este bom e grande trabalho requer o auxílio também da indústria daqueles entre os leigos em que um amor pela religião e pela pátria existe ao lado da instrução e retidão de vida. Unindo os esforços do clero e dos leigos, batalhai, veneráveis irmãos, para fazer os homens conhecer e amar completamente a Igreja; pois, quanto maior o seu conhecimento e amor pela Igreja, mais eles se desviarão das sociedades clandestinas.

34. Por este motivo, não sem causa Nós usamos esta ocasião para declarar novamente o que nós declaramos em outro lugar, ou seja, que a Ordem Terceira de São Francisco, cuja disciplina Nós algum tempo atrás prudentemente mitigamos[28], deveria ser refletidamente promovida e sustentada; pois todo o objetivo desta Ordem, como constituída por seu fundador, é convidar os homens a uma imitação de Jesus Cristo, a um amor à Igreja, e à observância de todas as virtudes Cristãs; e portanto ela deveria ser de grande influência em suprimir o contágio das sociedades pervertidas. Que, portanto, esta santa irmandade possa ser fortalecida por um crescimento diário. Entre os muitos benefícios a serem esperados disso estará o grande benefício de voltar as mentes dos homens à liberdade, fraternidade e igualdade de direito; não tais como os Maçons absurdamente imaginam, mas tais como Jesus Cristo obteve para o gênero humano e aos quais São Francisco aspirou: a liberdade, Nós queremos dizer, de filhos de Deus, através da qual nós podemos ser livres da escravidão a Satanás ou a nossas paixões, ambos os mais perversos mestres; a fraternidade cuja origem está em Deus, o Criador comum e Pai de todos; a igualdade a qual, fundada na justiça e caridade, não remove todas as distinções entre os homens, mas, das variedades da vida, dos deveres, e das ocupações, forma aquela união e aquela harmonia que naturalmente tende ao benefício e dignidade da sociedade.

35. Em terceiro lugar, há um assunto sabiamente instituído por nossos ancestrais, mas no decorrer do tempo deixado de lado, que pode agora ser usado como um padrão e forma de algo semelhante. Nós queremos dizer as associações ou organizações de trabalhadores, para proteger, sob a direção da religião, os seus interesses temporais e a sua moralidade. Se nossos ancestrais, por longa prática e experiência, sentiram o benefício destas associações, nossa época talvez irá senti-lo ainda mais por causa da oportunidade que eles darão de esmagar o poder das seitas. Aqueles que sustentam a si mesmos pelo trabalho de suas mãos, além de serem, pela sua própria condição, mais dignos acima de todos os outros de caridade e consolação, são também especialmente expostos às tentações de homens cujos caminhos estão na fraude e no engano. Portanto, eles devem ser ajudados com a maior bondade possível, a ser convidados a juntar-se a associações que são boas, para que eles não sejam arrastados para outras que são malignas. Por esta razão, Nós grandemente desejamos, pela salvação das pessoas, que, sob os auspícios e patrocínio dos bispos, e em oportunidades convenientes, estas associações possam ser restauradas de uma maneira generalizada. Para Nossa grande alegria, irmandades deste tipo e também associações de mestres já foram estabelecidas em muitos lugares, tendo, cada classe delas, por seu objetivo ajudar os honestos trabalhadores, a proteger e guardar suas crianças e família, e a promover neles a piedade, o conhecimento Cristão, e uma vida moral. E neste assunto Nós não podemos nos omitir de mencionar aquela sociedade exemplar, denominada de acordo com o seu fundador, São Vicente, que tem merecido tanto das classes mais baixas. Seus atos e seus alvos são bem conhecidos. Todo o seu objetivo é dar alívio ao pobre e miserável. Isto ela faz com singular prudência e modéstia; e quanto menos ela deseja ser notada, mais ela se adequa ao exercício da caridade Cristã, e para o alívio dos sofredores.

36. Em quarto lugar, de modo a mais facilmente atingir o que Nós desejamos, à vossa fidelidade e vigilância Nós recomendamos de um modo especial os jovens, como sendo a esperança da sociedade humana. Devotai a maior parte do vosso cuidado à instrução deles; e não pensai que qualquer precaução possa ser grande o suficiente para mantê-los afastados de mestres e escolas aonde o hálito pestilento das seitas deva ser temido. Sob a vossa direção, deixem os pais, instrutores religiosos, e padres tendo a cura de almas, usar cada oportunidade, em seu ensinamento Cristão, para advertir suas crianças e pupilos da natureza infame destas sociedades, para que eles possam aprender em bom tempo a terem cuidado com os variados e fraudulentos artifícios pelos quais seus promotores costumam laçar as pessoas. E aqueles que instruem os jovens em conhecimento religioso agirão sabiamente se eles induzirem todos eles a se resolverem e se comprometerem a nunca ligar-se a qualquer sociedade sem o conhecimento de seus pais, ou o conselho de seu padre ou diretor.

37. Nós bem sabemos, entretanto, que os nossos esforços unidos não serão de modo algum suficientes para arrancar estas sementes perniciosas do campo do Senhor, a menos que o Celestial Mestre da vinha misericordiosamente nos ajude em nossos esforços. Nós precisamos, portanto, com grande e ansioso cuidado, implorar a Ele a ajuda que a grandeza do perigo e da necessidade requer. A seita da Maçonaria mostra-se insolente e orgulhosa de seu sucesso, e parece que ela não colocará limites à sua pertinácia. Seus seguidores, ajuntados por perversos acordos e por conselhos secretos, ajudam-se uns aos outros, e excitam-se uns aos outros a uma audácia nas coisas malignas. Um ataque tão veemente exige uma igual defesa - especificamente, que todos os homens de bem formem a mais abrangente associação possível de ação e de oração. Nós imploramos a eles, portanto, com corações unidos, a permanecer unidos e firmes contra as forças das seitas que avançam; e em aflição e súplica estender suas mãos a Deus, orando que o nome Cristão possa florescer e prosperar, que a Igreja possa desfrutar da sua necessária liberdade, que aqueles que se extraviaram possam retornar a uma mente reta, que o erro difundido possa dar lugar à verdade, e o vício à virtude. Tomemos como nossa auxiliadora e intercessora a Virgem Maria, Mãe de Deus, para que ela, que desde o momento de sua concepção derrotou Satanás possa mostrar seu poder sobre estas seitas malignas, nas quais revive o contumaz espírito do demônio, juntamente com sua perfídia insubmissa e enganosa. Imploremos a Miguel, o príncipe dos anjos celestes, que lançou fora o infernal inimigo; e José, o esposo da santíssima Virgem, e patrono celeste da Igreja Católica; e os grandes Apóstolos, Pedro e Paulo, os pais e campeões vitoriosos da fé Cristã. Por seu patrocínio, e pela perseverança na união de oração, Nós esperamos que Deus irá misericordiosamente e oportunamente socorrer o gênero humano, que é rodeado por tantos perigos.

38. Como garantia dos dons celestes e de Nossa benevolência, Nós amorosamente concedemos no Senhor a vós, veneráveis irmãos, e ao clero e todo o povo confiado ao vosso vigilante cuidado, Nossa bênção apostólica.

Dado em Roma, junto de S. Pedro, no vigésimo dia de abril de 1884, o sexto ano de Nosso pontificado.
LEÃO PP. XIII



LINK UTÉIS (em italiano)
Artigos de Pontifex.Roma sobre a periculosidade da maçonaria:
A maçonaria norueguesa:
Anders Behring Breivik:
Outras fontes interessantes:



Tradução: Giulia d'Amore di Ugento



[1] Declaração sobre a Maçonaria Quaesitum est, da Congregação para a Doutrina da Fé. Nota da tradutora.
[2] Const. In Eminenti, 24 de abril de 1738.
[3] Const. Providas, 18 de maio de 1751.
[4] Const. Ecclesiam a Jesu Christo, 13 de setembro de 1821.
[5] Const. dada a 13 de março de 1825.
[6] Enc. Traditi, 21 de maio de 1829.
[7] Enc. Mirari, 15 de agosto de 1832.
[8] Enc. Qui Pluribus, 9 de novembro de 1846; pronunciamento Multiplices inter, 25 de setembro de 1865. etc.
[9] Não foi traduzido por mim, mas reproduzido do site do Vaticano.
[10] Não foi traduzido por mim, mas reproduzido do site do Vaticano.
[11] Nota da tradutora: "Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé".
[12] Não traduzido por mim, mas reproduzido do site do Vaticano.
[13] De Civit. Dei, 14, 28 (PL 41, 436).
[14] Sl 83(82), 2-5.
[15] Const. In Eminenti, 24 de abril de 1738.
[16] Const. Providas, 18 de maio de 1751.
[17] Const. Ecclesiam a Jesu Christo, 13 de setembro de 1821.
[18] Const. dada a 13 de março de 1825.
[19] Enc. Traditi, 21 de maio de 1829.
[20] Enc. Mirari, 15 de agosto de 1832.
[21] Enc. Qui Pluribus, 9 de novembro de 1846; pronunciamento Multiplices inter, 25 de setembro de 1865. etc.
[22] Clemente Xll (1730-40); Bento XIV (1740-58), Pio VII (1800-23); Pio IX (1846-78).
[23] Ver números 79, 81, 84
[24] Mt 7,18.
[25] Trid., sess. vi, De justif, c. 1. Texto do Concílio de Trento: "tametsi in eis (sc. Judaeis) liberum arbitrium minime extinctum esset, viribus licet attenuatum et inclinatum."
[26] Ver Arcanum, no. 81.
[27] Epistola 137, ad Volusianum, c. v, n. 20 (PL 33, 525).
[28] (17 de setembro de 1882), na qual o Papa Leão XIII tinha recentemente glorificado S. Francisco de Assis por ocasião do sétimo centenário de seu nascimento. Nesta encíclica, o Papa apresentou a Ordem Terceira de S. Francisco como uma resposta Cristã aos problemas sociais da época. A constituição Misericors Dei filius (23 de junho de 1883) expressamente relembrou que a negligência com a qual as virtudes Cristãs são tidas é a causa principal dos males que ameaçam as sociedades. Confirmando a regra da Ordem Terceira e adaptando-a às necessidades dos tempos modernos, o Papa Leão XIII intencionava trazer de volta o maior número possível de almas à prática destas virtudes.

ABORTO - O GRITO SILENCIOSO

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